Corinthians: Preto no Branco


Futebol é uma questão de alma, não de números!
fevereiro 28, 2008, 10:19 pm
Filed under: Uncategorized

Autor: Sérgio Alvarenga

Em primeiro lugar, penso que importante é estabelecer o que seja sucesso no futebol. Particularmente, não acho que apenas alcançar vitórias e títulos seja demonstração de sucesso. Não para mim.

Como diz o escritor inglês Nick Hornby, no sensacional “Febre de Bola”, futebol deve ser sentido em termos de “alma, não de espetáculo”. Eu concordo.

Pode parecer coisa de louco – e, se assim for, sou louco, paciência… – mas os resultados do meu time têm uma importância subsidiária, marginal.

Explico.

Sou corinthiano. Não nasci corinthiano, como se costuma dizer. Ser corinthiano, eu escolhi.

E o que me fez escolher ser corinthiano, juro, não foi um time específico, um jogador, um jogo, um lance, um título, uma vitória qualquer. Não foi nada que tenha ocorrido dentro das quatro linhas. Mas sim o que sempre ocorreu fora delas.

Sou corinthiano por causa da torcida do Corinthians. Confesso.
E é fácil entender.

A primeira lembrança futebolística que tenho é da festa do título de 1977. Com 06 anos à época, não guardei nenhuma memória do jogo em si. Mas me lembro sim, e me lembro bem, da verdadeira comoção que a conquista provocou.

Que alegria! Já ali, pensei: opa! Isso deve ser bom.

Na primeira vez que fui ao estádio, já com 09 anos, olhei mais para a arquibancada do que para o campo. A torcida do Corinthians, em número bem maior do que a do adversário – precisava ter falado isso? –, “festava” durante todo o jogo, mesmo quando o time perdia por 2×0. E entrou em êxtase quando, já no fim, empatamos, com gols de Zenon e Wladimir. Os não-corinthianos, coitados, foram embora cabisbaixos, ao som da bateria corinthiana, mesmo não havendo perdido. Tive certeza lá: opa! Isso é muito bom.

Era disso que queria fazer parte. E escolhi passar a fazer. Como todo jovem que descobre o primeiro amor, passei a querer conhecê-lo mais. E, estudando a história do time, me encantava mais com as façanhas épicas da torcida do que com as vitórias dos jogadores.

Descobrir que o tamanho e a fidelidade da torcida só aumentaram no longo período de jejum de títulos foi emocionante. Fui apresentado a um amor verdadeiro. Este era o sentimento que queria sentir. Jamais me contentaria com as paixões fugazes e volúveis que aquecem e esfriam em interesseira sintonia com a campanha do time. Isso é para não-corinthianos.

Conhecer detalhes da homérica “invasão do Maracanã”, em 1976, narrados pelos próprios heróis, me empolgava. E os guerreiros estavam ali, na minha frente.

Eram primos, amigos, pessoas de carne e osso. Não precisava ter qualidades especiais, poderes sobrenaturais. Bastava ter feito a escolha certa.

E eu fiz.

Comecei a freqüentar o estádio com assiduidade e digo que assistir a torcida corinthiana no Pacaembu é um espetáculo em si. Às vezes, é o único espetáculo.

Ouvir, aprender e entoar os empolgantes cantos por nós inventados é delicioso. Ouvir, depois, os não-corinthianos repetindo os mesmos cantos, copiados, mal adaptados a seus times, numa confissão de falta de criatividade e absoluta reverência, é ainda mais delicioso.

É isso: ser corinthiano não é apenas torcer para um time de futebol. É ser protagonista do show. Não é um ato contemplativo. É fazer parte da relação de amor. É uma conduta ativa.

Eu hoje participo do espetáculo da torcida no Pacaembu. Já desfilei na escola de samba. Já participei da nova invasão, em Goiânia, em dezembro último. Faço parte, enfim, daquele grupo que até os adversários chamam de “Fiel”.

Não sou coadjuvante. Não sou um mero espectador do Corinthians. Não sou torcedor. Sou parte dele.

Não me limito a discutir estatísticas e números. Tenho um amor. Tenho absoluta certeza de que o Corinthians não é só o clube, o time de futebol. É o clube, o time de futebol e é também a torcida.
Não torço para o Corinthians. Sou o Corinthians.

É por tudo isto que, egoisticamente, afirmo que o imenso segredo do sucesso corinthiano, independentemente da posição na tabela, sou eu. Somos nós, a torcida.

Nota da Larissa: Para começarmos a falar de futebol, achei necessário explicar o que entendo por este esporte.

O trecho: “Não me limito a discutir estatísticas e números. Tenho um amor. Tenho absoluta certeza de que o Corinthians não é só o clube, o time de futebol. É o clube, o time de futebol e é também a torcida. Não torço para o Corinthians. Sou o Corinthians.” define perfeitamente o que sinto.


Deixe um comentário so far
Deixe um comentário



Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s



%d blogueiros gostam disto: