Corinthians: Preto no Branco


A Democracia Corinthiana e o Corinthians Hoje
março 3, 2008, 9:46 am
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Todo corinthiano certamente já ouviu falar na Democracia Corinthiana, mas ouvir falar, neste caso, é pouco.
Torcedor alvinegro que se preze deve conhecer o movimento que marcou uma época, é reconhecido internacionalmente como um marco na história do futebol mundial e que foi um grito de justiça no Brasil dos tempos de ditadura. Considero ainda que se os torcedores e dirigentes trouxessem consigo um pouco da essência da Democracia Corinthiana tudo poderia ser diferente.
 
O movimento declarado pelos jogadores Sócrates, Wladimir e Casagrande, partia do princípio do respeito ao ser humano, o estímulo à participação nas decisões coletivas e a paridade de valor nos votos de cada cidadão. Sócrates, sobre a Democracia, afirmou: “o roupeiro, o massagista e os demais praticantes de outras atividades menos valorizadas socialmente possuíam o mesmo poder nas decisões que o melhor jogador da equipe ou o diretor de futebol do clube”. No período da Democracia Corinthiana, não eram aceitas imposições sem que elas ao menos tivessem passado pelo crivo de uma profunda reflexão. O que se tornou uma atitude filosófica coletiva e cotidiana naquele momento.

 
Posteriormente e como forma de perpetuação de Wadih Helou no poder, surgiu Alberto Dualib. Seu discurso era modernizante, mas podre em sua essência, baseado no nepotismo, na corrupção, na apropriação indébita e na troca de favores. A administração Alberto Dualib criou a maior mácula na história do Corinthians, distanciando-o de suas tradições, principalmente quando o presidente negociou o clube com uma empresa de mafiosos, a MSI. .As parcerias sempre fizeram parte dos planos de Dualib, salvo engano, durante toda a sua gestão, o Corinthians ganhou apenas dois títulos sem recorrer a parcerias. No entanto, o clube ganhou inúmeros títulos enquanto o malfeitor nos administrava e roubava e é aí que, a meu ver, instalou-se o problema. .Parece que perdemos a nossa identidade corinthiana, referente à autenticidade, raça, desprendimento, vontade e fidelidade. Parte da torcida até hoje acredita que os fins justificam os meios. Então, pensam que roubar é louvável desde que nos sagremos campeões. Essa visão deturpou o nosso corinthianismo.Portanto, considero fundamental que os corinthianos saibam que: o Corinthians somente se manterá “Corinthians” se mantiver os seus valores. Do contrário, será apenas um time comum e verá sua torcida minguar no decorrer dos anos. E isso fatalmente irá ocorrer independente dos carros de corrida, maternidades e o que mais existir. O corinthianismo se baseia em valores, em divisão democrática do poder, em tolerância, integração, superação e raça. Não é um mero time de futebol e por isso, não pode agir como tal.

 

 
Para manter os seus valores e se manter Corinthians, são necessárias algumas medidas, estas, em minha opinião, referem-se a:
 
• Devolução, de fato, do Corinthians aos corinthianos, radicalizando as formas de participação democrática, com eleições diretas e maior participação dos sócios nas decisões sobre o clube, uma nova e verdadeira Democracia Corinthiana!

• Criação de um sistema efetivo e realmente transparente de controle de contas, com auditorias externas permanentes, contratadas pelo conselho, desde que este seja eleito democraticamente.

• O clube deve fazer valer a sua grandeza e apresentar-se como realmente grande, colocando-se como catalisador de paixões, como elemento de desenvolvimento cultural e social. Para tanto, afirmou Sócrates: “Idéias avante do seu tempo só podem subsistir se houver uma grande mobilização de cabeças brilhantes absolutamente compromissadas com determinada causa.”. .

Como referido anteriormente, o Corinthians é muito mais que um time de futebol. É a marca mais valiosa do país e precisa assumir essa responsabilidade.

Aos corinthianos, vale lembrar: .

“A ‘Democracia Corinthiana’ deve fazer parte não só da memória de cada torcedor, mas também de suas atitudes em tudo que diz respeito ao Timão.”

 

Sobre a situação política do Corinthians nos dias de hoje, pode-se afirmar que não é exclusividade do momento atual. O Corinthians sempre esteve na mira de pessoas que pretendiam alçar o poder de alguma forma, seja ele político ou econômico. Os primeiros presidentes, como Miguel Bataglia, Cassano, eram apaixonados. No entanto, essa “administração doméstica” foi extinta definitivamente na década de 60, com a administração do facínora Wadih Helou, que instaurou o primeiro período de usurpação e desfiguração séria do clube. É claro que sempre houve reação dos democratas radicais, como na fundação dos Gaviões da Fiel, em 1969, ou na Democracia Corinthiana, que só poderia nascer no time do povo .

 


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