Corinthians: Preto no Branco


SER CORINTHIANO…
junho 11, 2008, 12:02 am
Filed under: Uncategorized

Por RANDALL NETO, advogado, palmeirense e, como se vê, maior e vacinado.

Eu já tive vontade de ser tanta coisa… mesmo depois daquela fase das perguntas “o que você quer ser quando crescer?”, eu continuei querendo ser o que não era.

Dito assim, não parece bom, mas dentre as coisas que eu queria ser, nessa semana eu queria ser corinthiano.

Confesso que não é a primeira vez que esse sentimento me assalta os confins da alma, lembro de ter sentido algo semelhante nos tempos da Democracia, quando jogava de camisa pra fora do calção e me dizia Casagrande;

naquele carrinho milagroso do Viola no Brinco de Ouro em 88;

no gol solitário do limitado Tupãzinho matando o São Paulo clássico do “mestre” Telê;

nas deslizadas de joelho do gorducho Neto a cada gol retirado a fórceps, conduzindo o time como um Leônidas nada espartano, ou quando o Dida pegou aqueles dois pênaltis do Raí como se brincasse de uni-duni-tê!

Ano passado eu não quis ser Corinthiano, mas queria estar no meio da Fiel quando o Hino Informal do Corinthians foi composto, o arrepiante “Aqui tem um bando de lôco!”.

Deve ser muito bom torcer pro Corinthians!

Os meus colegas de trabalho saíram nas 18 horas cravadas do relógio de ponto na véspera do feriado do dia do trabalho pra ver um combalido e desacreditado Corinthians “série b” tentar reverter uma desvantagem sobre o Goiás, um conhecido e frequente algoz.

O time podia não ser lá essas coisas, mas a torcida confiava que poderia fazer a sua parte, e ainda no primeiro tempo estalava um 4 x 0 no placar.

Depois dessa rodada, com o meu Palmeiras eliminado, vaticinei que pintava em preto e branco o Tri Campeão da Copa do Brasil!

Meus amigos continuaram indo, mesmo ritual, mesma confiança, primeiro o São Caetano, depois o Botafogo, presença garantida no Morumbi lotado, e uma fé que eu, recém campeão paulista, não conseguia entender de onde vinha.

Exatamente por não ser Corinthiano!

E não sendo, vi uma movimentação entre os caras e descobri que não era pra combinar a logística do primeira partida no Morumbi, e sim, confirmando presença num pacote pra ver a segunda partida no Recife!

Abri um sorriso de felicidade vicária e falei:

“Só corinthiano mesmo!”.

Foi corrigido a tempo: “Isso aqui é pra qualquer um, mano! Corinthiano mesmo iria mesmo se tivesse perdido o primeiro jogo!”.

E lá vão meus “broders” pra Veneza Brasileira, a Pasárgada cantada pelo filho da terra, jogar na “Ilha de Lost”, como diz o Xico Sá!

Um contingente menor do que aquele que invadiu o Maracanã pra parar a Máquina Tricolor em 76, mesmo Maracanã que viu o único campeão Mundial da “era moderna” que não precisou ir pro Japão, ganhou em casa, no outrora batizado “Recreio dos Bandeirantes”, em pleno verão carioca!

Salve o Corinthians, pois graças a ele, o meu Palmeiras consegue seguir tão grande quanto o Grande Rival!

Nota da Larissa: E como não reconhecer o óbvio?! Até parmerense pode, por que não?!

Basta ter bom senso!

Aproveito o post para mandar uma parábola sobre rivais:

[RIVALIDADE] Só tem uma.

Sabe aqueles dois amigos, que sempre andam juntos, tiram onda um com o outro, disputam videogame quando criança, sempre jogam as peladas um contra o outro, as vezes paqueram a mesma menina, mas sempre se respeitam? Ai um belo dia eles conhecem um mala riquinho que não tem amigos, todos gostam dele por interesse, e ele vive querendo se enturmar com os amigos, mas o cara é sem noção. Os amigos até que tentaram aguentar o mala, mas o cara é chato, não sabe ganhar, não sabe perder, é afeminado, vive jogando na cara as viagens pro exterior e ainda por cima insiste nessa amizade forçada? Pois é, aí estão Corinthians, Palmeiras e São Paulo.

8)

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17 Comentários so far
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Meu, belíssima reflexão…
ehhehehe
Sua msm???
De objetividade mil…
Poxa, vc nao pode ficar sem postar… hehehe
Bjos!

Comentário por Guilherme

Excelente metáfora, Larissa! Valeu pela publicação!

Larissa: Imagina Randall, é um prazer…texto sincero e de uma coragem que poucos rivais teriam para se referir ao meu Corinthians. Parabéns! E seja bem-vindo ao blog rival…=D

Comentário por Randall

Caro amigo Randall, parabéns pelo texto é muito bom ver pessoas que realmente pensam e respeitam as diferenças entre todos os torcedores, é claro que o esperado éra todos os outros torcedores secar o corinthians, mas somente um palmeirense que já sentiu na pele o que é ver seu time de coração cair de divisão por culpa de dirigente somada a alguns cabeças de bagre dentro de campo, para saber o que significa esse título para o torcedor, se vier é para lavar a alma, mostrar aos demais que caimos sim, mas de cabeça erguida seguiremos a rota para voltar de onde nunca deveriamos sair, viveremos ainda para ver outros grandes despencarem também e não sei se a torcida deles vão apoiar o time assim como apoiamos o nosso, rivais sempre, mas inimigos nunca. É isso ai amigo e hoje estamos todos (nação corinthiana) com o coração a mil, não vendo a hora desse dia interminável acabar e qdo terminar o jogo voltar a respirar normalmente independente do resultado continuar com o lema ”Lutar sempre, ganhar as vezes e desistir nunca”. abraço e VAI CORINTHIANS.

Larissa: É isso mesmo…o legal é saber que agora ele pode ler os “parabéns” porque achou o blog.

Comentário por Toel

Mandou bem nessa sua analogia, Larissa!!!
Eu costumava fazer uma analogia entre esses rivais do Trio de Ferro assim: Corinthians e Palmeiras como dois “irmãos” com pouca diferença de idade, que sempre ficavam brigando, seja pelo doce mais gostoso, seja pelo brinquedo mais cobiçado, seja pela garota mais desejada, seja pelo melhor emprego, seja por TUDO!! Gozações e troças partiam de ambos os lados, porém ambos no fundo SE RESPEITAVAM…Tempos depois nascia o SPFC, o “caçula”…teve quase tudo na vida, poucos percalços, mimado, bem-sucedido nos negócios, por tudo isso cresceu com uma SOBERBA insuportável…orgulhoso de si, olhava os irmãos de cima para baixo…mas para os “irmâos” mais velhos ele sempre será apenas…o “CAÇULA”, nada mais.
Particularmente, o assim chamado “Dérbi” paulista, sempre mexeu mais comigo do que qualquer outro jogo contra qualquer outro rival. A ALEGRIA de vencer o arquirrival alvinegro é a tristeza na mesma proporção, nas derrotas…

Comentário por Alviverde/SP

Randall, o Corinthians é nosso rival, não inimigo (que é outro), mas os palestrinos não passaram por fila e ficaram sempre ao lado do NOSSO ALVIVERDE INTEIRO? Eu quero é estar gritando “Palmeiras, minha vida é você!”

Quem ganhou o mundial de 51 na raça contra a Juventus, base da seleção italiana, e com jogadores como Boniperti, Praest? Quem derrotou o “imbatível” Santos de Pelé no único supercampeonato paulista da história? Qual o Único que ganhou todos os torneios nacionais já disputados, que desafiou os canalhas em 42, entrando com a bandeira brasileira e mostrando que, ali, morria o líder e nascia o campeão? Que, em plenos anos 60, dava espetáculo com Santos de Pelé e Botafogo de Garrincha e o que viesse, e que no dia de independência se vestiu de Brasil, a única vez em que um estrangeiro – Filpo Nuñez – foi técnico da seleção brasileira… EU NÃO QUERIA ESTAR NA TORCIDA DO RIVAL, EU QUERIA ARRANCAR O MUNDIAL DO FAVORITO VASCO E DA JUVENTUS, EMPURRAR A ACADEMIA, VIRAR O JOGO COM O TIME NO SUPERCAMPEONATO… Mas não estava lá do alto dos meus 32 anos…

Já ouviu falar de algo assim? Leia isso, sobre torcida:

“Ser palmeirense não significa apenas gostar de um time. É ter uma família, aquela com 20 milhões de irmãos. Ser palmeirense é não se importar com a inveja da imprensa. Ser palmeirense é não precisar se intitular torcedor. Isso é para os demais. Somos palmeirenses e basta.

Ser palmeirense é ter três academias de futebol na sua história. Ser palmeirense é ter Divino e Animal, cada qual em sua época. Ser palmeirense é saber que o Campeão do Século veste verde e branco. Ser palmeirense é saber perder e ter certeza que isso apenas engrandece ainda mais as nossas conquistas. É saber que o doce nunca é tão doce sem o amargo. Ser palmeirense é saber que nada pode ser melhor do que vestir o Manto Sagrado Esmeraldino. Ele impõe respeito.

Quem é palmeirense é apenas palmeirense e nada mais. Ser palmeirense é mais do que torcer, é um estado de espírito que anda lado a lado com o caráter de uma pessoa. E, como o caráter, ou se tem ou se menospreza. Ser palmeirense é simplesmente não ser um dos 160 milhões de brasileiros infelizes. SER PALMEIRENSE… É SER A VERDADEIRA TRANSCRIÇÃO DA FELICIDADE”.

Ou vc falou que o tri pintou em preto e branco pra secar?

Saudações alviverdes

Larissa, bola pra frente, parabéns pela campanha e pela luta…

baci, dolcezza…

Comentário por Daniel

JORGE, GENNARO E O MENINO SEM ALMA

Desde a várzea paulistana, o berço de tudo, Jorge e Gennaro foram criados no preceito mais puro da desportividade: a disputa em nome do manto.

Jorge, pouco mais velho, veio de família operária. Mas sua turma contava com profissionais de uma gama variada de setores, de carvoeiros, cocheiros de tílburi, alfaiates e barbeiros a advogados e professores.

Gennaro descende de imigrantes italianos. Camponeses, artesãos, agricultores, gente de poucas posses, todos impelidos a buscar na ‘Merica uma nova vida.

Vida que só faz sentido com um ideal à frente.

Jorge e Gennaro nunca foram amigos. Eram, pelo contrário, rivais. Desde a mais tenra idade, sempre houve disputa entre os dois. Rivalidade sadia, pois respeitosa. E necessária, pois verdadeira e incondicional. Poderia mesmo ser chamada de “a maior do mundo”.

Jorge foi o primeiro a trazer seus amigos operários para o futebol “grande”, aquele que se supunha de “gentlemen”, diferenciação que existia só pela graça de trazer demérito ao adjetivo “várzea” (cheio de alma, por sinal).

Jorge pleiteou e conquistou o direito de disputar com os “gentlemen”. O povo entrava em campo.

A abertura de espaço possibilitou à turma de Gennaro, após anos de amadorismo, ser considerada maioria em Piratininga, cidade que falava, não por acaso, com o típico sotaque de uma vila toscana, siciliana ou calabresa.

Não demorou muito para tomarem o lugar dos que antes eram tidos como senhores do esporte bretão nesta Piratininga. Os “gentlemen” viam Gennaro e Jorge superá-los não só dentro de campo, mas também em estrutura.

Por trás de ambos estava o povo, a razão maior do esporte bretão.

Senhores feudais em um século que não o deles, os “gentlemen” gostavam de manter o futebol no amadorismo como maneira de esconder as gratificações que tornavam possível aliciar atletas de agremiações adversárias.

Isso não afetava os times de Jorge e Gennaro. Desde os campos de várzea a norte e a oeste da Vila de Piratininga, prevalecia o amor ao manto. Muitos eram os admiradores, logo alçados à nobre condição de torcedores.

Foi assim, com a força de seus povos, que sobreviveram os dois moleques da várzea paulistana. Mais até: cresceram, ganharam títulos e logo deixaram para trás os que pensavam ser nobres.

Eis que surgiu, anos depois, um menino mimado, de linhagem rica, quatrocentona e tradicional, mas com trajetória marcada por separações, brigas e conflitos. Uma família decadente, que sempre tentou esconder seus problemas por trás de uma fachada prepotente.

Assim, o rapazote não tinha seguidores, senão os que foram abandonados pelos clubes de chá-das-cinco, os mesmos que tinham em mente a derrocada de Jorge e Gennaro. O menino mimado era a última chance de tentarem ser algo.

A esta altura, no entanto, ambos já haviam transcendido a armadilha imposta pelos artífices do amadorismo e engatinhavam no profissionalismo vigente.

O menino mimado das elites veio ao mundo sem berço, sem amor e sem alma. De sua gente que virou casaca, herdou os genes oportunistas e nada mais.

Ainda pequeno, de tudo fez para se estabelecer. Estratégias as mais sórdidas, politicagens baratas e muita arrogância serviam apenas para angariar rejeição, inclusive entre os seus.

O moleque tentava se firmar em seu caráter capenga às custas de quem fosse. De nada adiantou; criança ainda, foi à falência.

Sem família ou amigos, foi salvo exatamente por Jorge e Gennaro, que se uniram para ajudar o pobre coitado.

Triste episódio.

Mal sabia Gennaro que aquele fedelho, um dia reabilitado, seria o artífice de uma campanha difamatória contra suas origens.

O objetivo era um só: tomar a casa construída com o suor de Gennaro e do povo que o fazia grande. É irônico que tal atitude tenha partido de alguém desprovido de berço.

Ter o sangue da Itália, no entanto, nunca foi coisa pouca. Gennaro resistiu e triunfou diante de um pirralho que, derrotado, abandonou o nobre campo de batalha municipal, à época ainda com o nome purificado.

Tal fato se deu na mesma época em que os comparsas do menino mimado forçaram Jorge a ter como comandante um burocrata golpista, alguém que nem de suas fileiras era. O filhote dos senhores feudais deixava aflorar o seu caráter oportunista.

Anos se passaram, e o moleque seguiu seu caminho desprezível.

Até que, ainda jovem e com padrinhos no poder, ganhou uma enorme casa, custeada com o dinheiro de Jorge, Gennaro e de toda a coletividade.

Manuel, diga-se de passagem, outro boleiro destas paragens, também entrou na lista dos vitimados por politicagens baratas e maracutaias.

O rapaz sem alma foi ganhar corpo décadas depois. Em posses, nunca em caráter. Suas conquistas eram vazias, pois sem o doce sabor da superação.

O menino ganhou o mundo, mero instrumento para a lavagem cerebral que visava ganhar apoio de cidadãos desprovidos de alma e de qualquer senso de julgamento moral.

Dele se aproximaram as figuras mais desprezíveis.

Aproximação não por amor, mas por interesse.

Não aquele financeiro, típico das nossas oligarquias mais putrefatas, mas por status. Pela enganosa possibilidade de desfrutar do que a vida oferece de mais prazeroso. Sem esforço, é óbvio.

É uma grande moleza, não?

Os seguidores do menino mimado agem como ele. Pensam que o dinheiro pode comprar tudo e vêem a ética como um atributo pouco relevante, quase indesejável.

Não é à toa. Ao longo de toda a história, acostumaram-se a ver todo tipo de favorecimento vindo dos canalhas de amarelo, de toga e de ternos bem cortados.

Tampouco conhecem a própria história. Mais fácil (sempre a mesma lógica!) acreditar nas invencionices tacanhas de quem empunha um microfone ou uma caneta sem dignidade para tanto.

Afinal, trata-se do filhinho daqueles que tomavam o chá-das-cinco no começo do século, pensando em como afastar o povo do esporte que começava a ganhar força no imaginário popular.

Os que seguem hoje o garotinho mimado o fazem por esta necessidade de ter status, de esnobar, de mostrar o que têm e o que não têm.

Como se preza a todo novo rico, é bom cultivar esta imagem.

“Ter é mais importante que ser”. É como pensam os oportunistas. É como cresceu o menininho mimado, sempre cercado de bajuladores e de pessoas que se adulam nas posses e em nada mais.

Ao ver que Jorge e Gennaro tinham o que ele não tinha, tratou de correr atrás. E o fez não como os guerreiros da várzea paulistana, mas como se preza a alguém sem história para contar.

Como é vazio o menino mimado, tudo é adorno. Que atrai nada mais senão a soberba medrosa da necessidade de reafirmação. São badulaques que se penduraram no vazio. Um prato cheio para oportunistas.

E os oportunistas se enfeitam, mas só enquanto for moda.

Porque na vida há coisas que superam, e muito, a imagem.

Os dois pioneiros do esporte bretão já viveram o ocaso, assim como as maiores glórias. Fácil nunca foi. Ficou a lição: as maiores vitórias são aquelas que acontecem após a tempestade.

Cair, levantar e dar a volta por cima: eis a virtude dos guerreiros.

Jorge, por exemplo, passou anos e anos sem ganhar nada. Quase na miséria, os amigos só faziam crescer, mais e mais. Tanto cresceram que protagonizaram o momento maior de sua vida. O significado disso que viveu revigorou sua alma.

Uma nação que cresce na adversidade tem muito a contar, pois viveu intensamente. O povo confortou Jorge ao longo de décadas de sofrimento com o mesmo amor de uma mãe.

Assim foi também com Gennaro, que, no momento mais complicado de sua caminhada, teve por perto todos os seus. Foi ao fundo do poço para então retornar nos braços de quem, por amor, o amparou.

Para Jorge e Gennaro, sofrer faz parte das maiores conquistas.

E o povo estará sempre por perto, seja qual for a situação.

Ao moleque mimado, sabe-se lá o que aconteceria se chegasse ao fundo do poço.

Dirão os oportunistas de plantão, com a empáfia que lhes é peculiar:

“Jamais cairemos do nosso pedestal”.

Só o tempo pode dizer.

O que se pode ter desde agora é a certeza de que de nada vale ser sustentado por quem está ao seu lado por interesse.

Interesse de ostentar o produto que é o mais vendido no momento, aquele que é o mais badalado, a modinha que está pegando.

Quem vai atrás da turminha só o faz para evitar que o ponto fraco do caráter seja desmascarado por qualquer “tirador de sarro” por aí.

Fácil é se proclamar vencedor sem enfrentar as dificuldades.

Fácil é se afastar na hora das batalhas para só aparecer na hora da festa, proclamando algo que nunca foi e nunca será.

Vencer é para poucos; é para quem luta.

Especialmente na adversidade.

Não dá para esperar isso dos acompanhantes do menino mimado, que somem ao primeiro revés.

Quem se declara vencedor depois de estar longe por toda a batalha é, na verdade, um fraco.

Bajular na hora da conquista é fácil; e não exige alma. A hipocrisia está em moda, infelizmente.

Só quem luta e está presente na vitória e na derrota sabe mensurar o que é uma conquista e o que é mera propaganda.

Só a alma detém a verdade.

Ser parte de uma geração vitrine, que vive de ostentar aquilo que veio sem suor, é cômodo.

Tão cômodo quanto vazio.

E está impregnado à genética oportunista dos que não têm alma.

Amar é sofrer.

Amar é se doar.

Amar é se dedicar, mais ainda nos momentos difíceis.

Jorge e Gennaro sempre souberam disso.

Assim foram criados.

Esta é a lição que passaram para suas torcidas…

———

Co-autoria de Rodrigo Barneschi (palmeirense) e Filipe Gonçalves (corintiano).

Extraído do site http://forzapalestra.blogspot.com/2007/11/jorge-gennaro-e-o-menino-sem-alma.html

Comentário por Daniel

JORGE, GENNARO E O MENINO SEM ALMA

Desde a várzea paulistana, o berço de tudo, Jorge e Gennaro foram criados no preceito mais puro da desportividade: a disputa em nome do manto.

Jorge, pouco mais velho, veio de família operária. Mas sua turma contava com profissionais de uma gama variada de setores, de carvoeiros, cocheiros de tílburi, alfaiates e barbeiros a advogados e professores.

Gennaro descende de imigrantes italianos. Camponeses, artesãos, agricultores, gente de poucas posses, todos impelidos a buscar na ‘Merica uma nova vida.

Vida que só faz sentido com um ideal à frente.

Jorge e Gennaro nunca foram amigos. Eram, pelo contrário, rivais. Desde a mais tenra idade, sempre houve disputa entre os dois. Rivalidade sadia, pois respeitosa. E necessária, pois verdadeira e incondicional. Poderia mesmo ser chamada de “a maior do mundo”.

Jorge foi o primeiro a trazer seus amigos operários para o futebol “grande”, aquele que se supunha de “gentlemen”, diferenciação que existia só pela graça de trazer demérito ao adjetivo “várzea” (cheio de alma, por sinal).

Jorge pleiteou e conquistou o direito de disputar com os “gentlemen”. O povo entrava em campo.

A abertura de espaço possibilitou à turma de Gennaro, após anos de amadorismo, ser considerada maioria em Piratininga, cidade que falava, não por acaso, com o típico sotaque de uma vila toscana, siciliana ou calabresa.

Não demorou muito para tomarem o lugar dos que antes eram tidos como senhores do esporte bretão nesta Piratininga. Os “gentlemen” viam Gennaro e Jorge superá-los não só dentro de campo, mas também em estrutura.

Por trás de ambos estava o povo, a razão maior do esporte bretão.

Senhores feudais em um século que não o deles, os “gentlemen” gostavam de manter o futebol no amadorismo como maneira de esconder as gratificações que tornavam possível aliciar atletas de agremiações adversárias.

Isso não afetava os times de Jorge e Gennaro. Desde os campos de várzea a norte e a oeste da Vila de Piratininga, prevalecia o amor ao manto. Muitos eram os admiradores, logo alçados à nobre condição de torcedores.

Foi assim, com a força de seus povos, que sobreviveram os dois moleques da várzea paulistana. Mais até: cresceram, ganharam títulos e logo deixaram para trás os que pensavam ser nobres.

Eis que surgiu, anos depois, um menino mimado, de linhagem rica, quatrocentona e tradicional, mas com trajetória marcada por separações, brigas e conflitos. Uma família decadente, que sempre tentou esconder seus problemas por trás de uma fachada prepotente.

Assim, o rapazote não tinha seguidores, senão os que foram abandonados pelos clubes de chá-das-cinco, os mesmos que tinham em mente a derrocada de Jorge e Gennaro. O menino mimado era a última chance de tentarem ser algo.

A esta altura, no entanto, ambos já haviam transcendido a armadilha imposta pelos artífices do amadorismo e engatinhavam no profissionalismo vigente.

O menino mimado das elites veio ao mundo sem berço, sem amor e sem alma. De sua gente que virou casaca, herdou os genes oportunistas e nada mais.

Ainda pequeno, de tudo fez para se estabelecer. Estratégias as mais sórdidas, politicagens baratas e muita arrogância serviam apenas para angariar rejeição, inclusive entre os seus.

O moleque tentava se firmar em seu caráter capenga às custas de quem fosse. De nada adiantou; criança ainda, foi à falência.

Sem família ou amigos, foi salvo exatamente por Jorge e Gennaro, que se uniram para ajudar o pobre coitado.

Triste episódio.

Mal sabia Gennaro que aquele fedelho, um dia reabilitado, seria o artífice de uma campanha difamatória contra suas origens.

O objetivo era um só: tomar a casa construída com o suor de Gennaro e do povo que o fazia grande. É irônico que tal atitude tenha partido de alguém desprovido de berço.

Ter o sangue da Itália, no entanto, nunca foi coisa pouca. Gennaro resistiu e triunfou diante de um pirralho que, derrotado, abandonou o nobre campo de batalha municipal, à época ainda com o nome purificado.

Tal fato se deu na mesma época em que os comparsas do menino mimado forçaram Jorge a ter como comandante um burocrata golpista, alguém que nem de suas fileiras era. O filhote dos senhores feudais deixava aflorar o seu caráter oportunista.

Anos se passaram, e o moleque seguiu seu caminho desprezível.

Até que, ainda jovem e com padrinhos no poder, ganhou uma enorme casa, custeada com o dinheiro de Jorge, Gennaro e de toda a coletividade.

Manuel, diga-se de passagem, outro boleiro destas paragens, também entrou na lista dos vitimados por politicagens baratas e maracutaias.

O rapaz sem alma foi ganhar corpo décadas depois. Em posses, nunca em caráter. Suas conquistas eram vazias, pois sem o doce sabor da superação.

O menino ganhou o mundo, mero instrumento para a lavagem cerebral que visava ganhar apoio de cidadãos desprovidos de alma e de qualquer senso de julgamento moral.

Dele se aproximaram as figuras mais desprezíveis.

Aproximação não por amor, mas por interesse.

Não aquele financeiro, típico das nossas oligarquias mais putrefatas, mas por status. Pela enganosa possibilidade de desfrutar do que a vida oferece de mais prazeroso. Sem esforço, é óbvio.

É uma grande moleza, não?

Os seguidores do menino mimado agem como ele. Pensam que o dinheiro pode comprar tudo e vêem a ética como um atributo pouco relevante, quase indesejável.

Não é à toa. Ao longo de toda a história, acostumaram-se a ver todo tipo de favorecimento vindo dos canalhas de amarelo, de toga e de ternos bem cortados.

Tampouco conhecem a própria história. Mais fácil (sempre a mesma lógica!) acreditar nas invencionices tacanhas de quem empunha um microfone ou uma caneta sem dignidade para tanto.

Afinal, trata-se do filhinho daqueles que tomavam o chá-das-cinco no começo do século, pensando em como afastar o povo do esporte que começava a ganhar força no imaginário popular.

Os que seguem hoje o garotinho mimado o fazem por esta necessidade de ter status, de esnobar, de mostrar o que têm e o que não têm.

Comentário por Daniel

Como se preza a todo novo rico, é bom cultivar esta imagem.

“Ter é mais importante que ser”. É como pensam os oportunistas. É como cresceu o menininho mimado, sempre cercado de bajuladores e de pessoas que se adulam nas posses e em nada mais.

Ao ver que Jorge e Gennaro tinham o que ele não tinha, tratou de correr atrás. E o fez não como os guerreiros da várzea paulistana, mas como se preza a alguém sem história para contar.

Como é vazio o menino mimado, tudo é adorno. Que atrai nada mais senão a soberba medrosa da necessidade de reafirmação. São badulaques que se penduraram no vazio. Um prato cheio para oportunistas.

E os oportunistas se enfeitam, mas só enquanto for moda.

Porque na vida há coisas que superam, e muito, a imagem.

Os dois pioneiros do esporte bretão já viveram o ocaso, assim como as maiores glórias. Fácil nunca foi. Ficou a lição: as maiores vitórias são aquelas que acontecem após a tempestade.

Cair, levantar e dar a volta por cima: eis a virtude dos guerreiros.

Jorge, por exemplo, passou anos e anos sem ganhar nada. Quase na miséria, os amigos só faziam crescer, mais e mais. Tanto cresceram que protagonizaram o momento maior de sua vida. O significado disso que viveu revigorou sua alma.

Uma nação que cresce na adversidade tem muito a contar, pois viveu intensamente. O povo confortou Jorge ao longo de décadas de sofrimento com o mesmo amor de uma mãe.

Assim foi também com Gennaro, que, no momento mais complicado de sua caminhada, teve por perto todos os seus. Foi ao fundo do poço para então retornar nos braços de quem, por amor, o amparou.

Para Jorge e Gennaro, sofrer faz parte das maiores conquistas.

E o povo estará sempre por perto, seja qual for a situação.

Ao moleque mimado, sabe-se lá o que aconteceria se chegasse ao fundo do poço.

Dirão os oportunistas de plantão, com a empáfia que lhes é peculiar:

“Jamais cairemos do nosso pedestal”.

Só o tempo pode dizer.

O que se pode ter desde agora é a certeza de que de nada vale ser sustentado por quem está ao seu lado por interesse.

Interesse de ostentar o produto que é o mais vendido no momento, aquele que é o mais badalado, a modinha que está pegando.

Quem vai atrás da turminha só o faz para evitar que o ponto fraco do caráter seja desmascarado por qualquer “tirador de sarro” por aí.

Fácil é se proclamar vencedor sem enfrentar as dificuldades.

Fácil é se afastar na hora das batalhas para só aparecer na hora da festa, proclamando algo que nunca foi e nunca será.

Vencer é para poucos; é para quem luta.

Especialmente na adversidade.

Não dá para esperar isso dos acompanhantes do menino mimado, que somem ao primeiro revés.

Quem se declara vencedor depois de estar longe por toda a batalha é, na verdade, um fraco.

Bajular na hora da conquista é fácil; e não exige alma. A hipocrisia está em moda, infelizmente.

Só quem luta e está presente na vitória e na derrota sabe mensurar o que é uma conquista e o que é mera propaganda.

Só a alma detém a verdade.

Ser parte de uma geração vitrine, que vive de ostentar aquilo que veio sem suor, é cômodo.

Tão cômodo quanto vazio.

E está impregnado à genética oportunista dos que não têm alma.

Amar é sofrer.

Amar é se doar.

Amar é se dedicar, mais ainda nos momentos difíceis.

Jorge e Gennaro sempre souberam disso.

Assim foram criados.

Esta é a lição que passaram para suas torcidas…

———

Co-autoria de Rodrigo Barneschi (palmeirense) e Filipe Gonçalves (corintiano).

Extraído do site http://forzapalestra.blogspot.com/2007/11/jorge-gennaro-e-o-menino-sem-alma.html

Comentário por Daniel

Como se preza a todo novo rico, é bom cultivar esta imagem.

“Ter é mais importante que ser”. É como pensam os oportunistas. É como cresceu o menininho mimado, sempre cercado de bajuladores e de pessoas que se adulam nas posses e em nada mais.

Ao ver que Jorge e Gennaro tinham o que ele não tinha, tratou de correr atrás. E o fez não como os guerreiros da várzea paulistana, mas como se preza a alguém sem história para contar.

Como é vazio o menino mimado, tudo é adorno. Que atrai nada mais senão a soberba medrosa da necessidade de reafirmação. São badulaques que se penduraram no vazio. Um prato cheio para oportunistas.

E os oportunistas se enfeitam, mas só enquanto for moda.

Porque na vida há coisas que superam, e muito, a imagem.

Os dois pioneiros do esporte bretão já viveram o ocaso, assim como as maiores glórias. Fácil nunca foi. Ficou a lição: as maiores vitórias são aquelas que acontecem após a tempestade.

Cair, levantar e dar a volta por cima: eis a virtude dos guerreiros.

Jorge, por exemplo, passou anos e anos sem ganhar nada. Quase na miséria, os amigos só faziam crescer, mais e mais. Tanto cresceram que protagonizaram o momento maior de sua vida. O significado disso que viveu revigorou sua alma.

Uma nação que cresce na adversidade tem muito a contar, pois viveu intensamente. O povo confortou Jorge ao longo de décadas de sofrimento com o mesmo amor de uma mãe.

Assim foi também com Gennaro, que, no momento mais complicado de sua caminhada, teve por perto todos os seus. Foi ao fundo do poço para então retornar nos braços de quem, por amor, o amparou.

Para Jorge e Gennaro, sofrer faz parte das maiores conquistas.

E o povo estará sempre por perto, seja qual for a situação.

Ao moleque mimado, sabe-se lá o que aconteceria se chegasse ao fundo do poço.

Dirão os oportunistas de plantão, com a empáfia que lhes é peculiar:

“Jamais cairemos do nosso pedestal”.

Só o tempo pode dizer.

O que se pode ter desde agora é a certeza de que de nada vale ser sustentado por quem está ao seu lado por interesse.

Interesse de ostentar o produto que é o mais vendido no momento, aquele que é o mais badalado, a modinha que está pegando.

Quem vai atrás da turminha só o faz para evitar que o ponto fraco do caráter seja desmascarado por qualquer “tirador de sarro” por aí.

Comentário por Daniel

Fácil é se proclamar vencedor sem enfrentar as dificuldades.

Fácil é se afastar na hora das batalhas para só aparecer na hora da festa, proclamando algo que nunca foi e nunca será.

Vencer é para poucos; é para quem luta.

Especialmente na adversidade.

Não dá para esperar isso dos acompanhantes do menino mimado, que somem ao primeiro revés.

Quem se declara vencedor depois de estar longe por toda a batalha é, na verdade, um fraco.

Bajular na hora da conquista é fácil; e não exige alma. A hipocrisia está em moda, infelizmente.

Só quem luta e está presente na vitória e na derrota sabe mensurar o que é uma conquista e o que é mera propaganda.

Só a alma detém a verdade.

Ser parte de uma geração vitrine, que vive de ostentar aquilo que veio sem suor, é cômodo.

Tão cômodo quanto vazio.

E está impregnado à genética oportunista dos que não têm alma.

Amar é sofrer.

Amar é se doar.

Amar é se dedicar, mais ainda nos momentos difíceis.

Jorge e Gennaro sempre souberam disso.

Assim foram criados.

Esta é a lição que passaram para suas torcidas…

———

Co-autoria de Rodrigo Barneschi (palmeirense) e Filipe Gonçalves (corintiano).

Extraído do site http://forzapalestra.blogspot.com/2007/11/jorge-gennaro-e-o-menino-sem-alma.html

Comentário por Daniel

Os comentários 7 a 10 foram a mais, minha conexão está ruim, o texto inteiro não aparecia…

bjs,

Daniel

Comentário por Daniel

Mandou muito bem Daniel!!! Trouxe um belissimo texto!! É quase a mesma visão que eu tenho do Trio de Ferro paulistano…e o Santos, onde fica?? Na minha analogia, o Santos poderia ser aquele primo chato, que mora no litoral e vez ou outra, mete o bico onde não é chamado, mas não chega a causar tanta antipatia…RSRSRSRSRS

Comentário por Alviverde/SP

Sobre o texto a respeito de Jorge e Gennaro, não posso negar que sempre tive essa percepção a respeito do Sumpaulo… É um time sem alma! É um time sem paixão! Como flamenguista, tenho como supremo rival o Vasco da Gama. E para o Botafogo, tenho um misto de rivalidade e compaixão. Já o Flu… Time vaidoso! Está entre os grandes por causa de uma virada de mesa! Praga de tricolor?

Comentário por franc1968

Muito bom o seu blog! Voltarei a ele em outras ocasiões!

Comentário por franc1968

Valeu, alviverde… Agradeço à linda Larissa pelo espaço…

Como palmeirense, não tenho bronca do Santos, como vc e, acredito, a esmagadora maioria dde nós torcedores da Eterna Academia… é como aquele primo chato que a gente vê com condescendência mas que quase sempre dá mancada… rs

abraços….

E pra vc, Larissa, muitos bjs…

Comentário por Daniel

Alviverde/SP, veja o comentário n° 5 sobre o texto do Randall… esse “palmeirense” (o que duvido) tem de fazer um curso intensivo de palestrianismo… tem de conhecer de história do futebol…

Comentário por Daniel

Ô Daniel, posso dizer que o Randall jogou CONFETE demais também, aí também não, né!!!rsrs
Cordialidade sim, MA NON TROPPO!!!rsrs

Comentário por Alviverde/SP




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