Corinthians: Preto no Branco


Reflexões acerca do Brasil, sil, sil!
agosto 21, 2008, 3:20 pm
Filed under: Uncategorized

Ontem a noite fui até Florianópolis, numa palestra de Juca Kfouri, em pauta: “O nosso futebol é a cara do Brasil”, nem preciso relatar que de cara, já concordei com o nome escolhido.

Confesso que fui com a intenção de fazer perguntas indecorosas e deixa-lo numa bela saia-justa, no entanto, no decorrer da palestra, acabei revendo conceitos e mudando de idéia.

Juca falou do Corinthians, como corinthiano e do nosso futebol, como brasileiro.

E pela primeira vez, entendi de outra forma sua opinião. Tudo bem, ele é ranzinza e tudo mais. É. Mas o que eu sempre via como pseudo-imparcialidade da parte do jornalista, ontem, entendi como indignação. É. Ele é um corinthiano indignado mesmo. E da mesma forma que vejo outros corinthianos mais passivos me pedirem pra mudar de time, quando indignada reclamo, fazia eu com o Juca, por achar que ali não residia nenhum sentimento, só business. Não que não haja o business, mas até aí, normal.

Enfim, dentre todos os temas abordados, muito bons por sinal, Juca disse algo que concordo absolutamente e que seria interessante que todos soubessem e parassem para refletir sobre:

Não vemos ninguém elogiando a situação do futebol nacional. Ninguém.
Todos reclamam da forma como exportamos nossa mão-de-obra sucateada e não trabalhamos melhor com isso. Tudo aquilo que já sabemos sobre os nossos jogadores exportados, muitas vezes sem sequer estarem prontos, finalizados. E de como o esporte nacional fica enfraquecido com isso, etc..etc.

Mas se todos reclamam. Todos. Então, por que não muda?

Afinal, não é isso o que acontece quando as pessoas estão insatisfeitas?! Mudança?!

Ah! Então não está ruim pra todo mundo, embora assim o digam. Então tem gente lucrando com isso.

E somos nós que de forma alienada, passiva, contribuímos com esse mecanismo de destruição do futebol brasileiro, com a cartolagem bandida e com os empresários sanguessugas.

Sim, porque o espetáculo só sobrevive porque tem espectadores e somos nós. Nós que não estamos fazendo nada.

Enquanto isso, tem torcedor que entra em campo pra agredir jogador, tem gente que briga, hostiliza e temos nós que ficamos feitos velhos ranzinzas reclamando nos blogs e foruns da vida ou nas mesas de bares… Sobre os jogadores, os treinadores. Mas e a raiz do problema? Ah! Essa a gente esquece de criticar, de brigar, de hostilizar. Tratar um sintoma sem investigar a causa, pode ser perigoso. E quase sempre, pra não dizer sempre, é garantia de que o problema voltará a incomodar.

Não. Não pretendo com essa reflexão que todos concordem comigo ou com o Juca, que passem a gostar dele, de mim ou qualquer coisa assim. Mas sempre fui da opinião de que não é porque eu não gosto de alguém ou não confio que essa pessoa não possa falar sério e dizer verdades. E verdade foi o que eu ouvi ontem, na Assembléia Legislativa de Florianópolis, numa palestra sobre futebol.

É, futebol! Um esporte que apesar de residir nos corações dos brasileiros sempre esteve às margens desse país.

Sabe quando o Brasil teve leis em defesa desse esporte? Quando o presidente e corinthiano, Lula, assinou duas leis em apoio ao esporte. Uma sobre o estatuto do torcedor, algo tão primário e que não havia sido levado a sério ainda. Precisou que alguém fosse lá escrever que o torcedor que comprar a cadeira de número 33 tem direito de se sentar na cadeira de número 33 nos estádios. Ridículo né? Precisa redigir isso? O código de defesa do consumidor já não garante isso? Sim, mas era preciso que se redigisse para garantir que o torcedor não seria mais tratado feito gado nos estádios brasileiros. E a outra lei, bom, nem me recordo (para ver como nós, brasileiros, estamos lutando pelos nossos direitos).

O Brasil nunca teve uma política efetiva de apoio ao esporte, ao futebol e, então, alguém poderia me dizer: ‘Ah! Mas futebol é só futebol, não uma questão de vida ou morte’. Certamente esse alguém nunca pensou na importância sociológica do esporte. Do futebol como forma de integração, de inclusão social, de qualidade de vida e por que não? Pesquisas apontam que cada dólar investido no esporte, são três dólares que se economiza na saúde pública. Nem assim, o Brasil teve alguém que se preocupasse em criar uma política justa e efetiva de amparo ao nosso esporte.

Já cantava Renato Russo: que país é esse?

E com os que possam desconfiar da relevância do esporte, eu tenho de concordar:

Futebol não é uma questão de vida ou de morte.

É muito mais do que isso.

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7 Comentários so far
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O Juca costuma mandar muito bem quando o assunto é análise de futebol, ou problemas do esporte nacional.

Não curto quando ele compra a briga de amigos como o Citadini que sempre tem um interesse por trás dos boatos que lançam.

E sobre as reflexões, só há com o que concordar.

Larissa: Concordo! =)

Comentário por Shadow

O futebol Brasileiro está um lixo, o feminino só pipoca, o masculino nem isso pois nem chega.
Isso é para aprendermos que Alexandre Pato, Diego, Robinho, Ronaldinho Enganucho, Ronaldinho She-male, entre outros nunca foram craques que nós sempre achamos.
Quem disse que Alexandre Pato é jogador?
A unica partida descente que esse cara fez foi contra o Palmeiras, mas nem no milan com um monte de jogadores acima da média ele faz alguma coisa que preste.

Larissa: O futebol brasileiro não seria um lixo se não fosse tratado como tal pelo governo e pelos dirigentes. Matéria-prima, temos de sobra. Faltam investimentos e interesse sério. Isso falando de futebol masculino, nem vou citar o feminino, porque coitado, isso daria um livro, tamanha a falta de vergonha na cara desse país para com o esporte.

Comentário por Batman

Acompanho o blog do Juca, e, às vezes, o acho muito amargo. Porém, sei que ele tem lá motivos, e concordo com eles. A unica dificuldade é entender esporte como forma de integração social; é um conceito que ainda não me explicaram.
Talvez eu vá em alguma de suas palestras.

Larissa: Creio que todo esporte coletivo seja uma forma de integração social, dentre muitos outros benefícios. Quando puder vá sim, aconselho! =)

Comentário por jeff

Juca é Corinthiano, todavia equivocou-se ao ser um dos responsáveis por essa legislação vigente, que criou um monte de novos ricos (empresários?), que exploram esse “new” nicho de negócios. Talvez suas intenções fossem boas, e certamente foram, porém os resultados são esses que estamos vendo.
A defesa, (daqueles que defenderam essa lei), é dizer que o defeito não está na lei, mas nos Dirigentes corruptos.
Ora! O que esperavam? que a nova lei acabasse com eles?
Hoje, todos (sem excessão) ou se juntam a empresários, e cedem aos seus interesses, ou seu time afunda.
Resultado prático, os Dirigentes continuam os mesmos, e agora, com aliados nos negócios, ao abrigo da lei.
Melhor seria, se Juca dissesse: “Essa lei precisa ser melhorada, ou mudada.”
Eu esperaria que ele abraçasse essa bandeira, usando sua tribuna, com a mesma ênfase que usou para ajudar a aprová-la.
Errar é humano, reconhecer um erro, por pequeno que seja, é sinonimo de estatura.
E Larissa, nem acho que essa, seja uma pergunta indecorosa.

Larissa: Touché meu caro Jarbas!
Essa era a minha pretensão não concretizada por falta de tempo para mais perguntas…rs
No entanto, mencionei “indecorosa”, supondo serem verdadeiros os fatos a mim relatados, sobre terem havido inúmeras mudanças e distorções na Lei elaborada pelo J. Kfouri. Segundo informações de pessoa próxima ao jornalista, a lei descrita por ele, originalmente era bem diferente da que está em vigor. Enfim…um dia ainda tiro isso a limpo!

Comentário por Jarbas

Gostaría de me comuunicar com vc, se há a possibilidade de eu escrever no seu blog, tbm sou corinthiano e sei basttante sobre futebol, e outros esportes.

Se puder entrar em contato comigo, fico feliz.

Comentário por Erico

Bom dia Larissa, vc acha que um boicote, por parte dos torcedores, ao futebol, funcionaria como um alerta para que as autoridades se posicionassem em favor da retenção de jovens atletas no país com intuito de valorizar esse esporte aqui no Brasil..

Abraços

Larissa: Bom dia Toel!
O boicote pode ser um dos caminhos, mas para tanto é necessário que haja muita reflexão sobre o tema. Haveria de ser uma ação em massa para haver repercussão não? E difícil é fazer o brasileiro parar para refletir.

Abraços!

Comentário por Toel

[…] ao nosso contexto – que vem “dazoropa”. O velho complexo de vira-lata. Não por acaso o tema O nosso futebol é a cara do Brasil já foi pauta de palestras. Os clubes aqui só não são empresas no papel e no lado bom do futebol […]

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