Corinthians: Preto no Branco


Novo Estatuto aprovado pela Assembléia Geral
agosto 31, 2008, 12:43 am
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O sábado, além de ser o dia de mais uma goleada do Timão, que venceu por 4 a 0 o ABC de Natal, também foi dia de votação no Parque São Jorge. O novo estatuto corinthiano foi votado pela Assembléia Geral e o SIM venceu por 762 a 73 votos.

Há quem brade que a democracia chegou ao clube. Mas não é bem assim que a banda toca. É necessário ter a consciência de que estamos apenas no início de uma luta por um Corinthians digno, bem administrado e realmente transparente.

Não se pode negar que a reforma estatutária é um grande passo, mas existe uma enorme brecha no estatuto aprovado. O cheiro de maracutaia já era forte desde a época em que, falando de reforma estatutária, todas as propostas verdadeiramente modernas e democráticas vindas dos associados, foram recusadas. Depois de desmascarado o golpe da alínea K, trataram de adequar novamente o estatuto aos interesses dos que parecem ser os donos do clube. Desta vez, o estatuto foi aprovado com a letra A:

Art. 45 – A Assembléia Geral reunir-se-á:

II – Extraordinariamente, a qualquer tempo, para:

A – homologar a alteração deste Estatuto, nos termos do Código Civil, quando expressamente convocada para esse fim, reconhecida, preliminarmente, pelo CD, a necessidade da alteração.

Ou seja, com a inclusão da parte em negrito, tudo continua como antes no quartel de Abrantes. A qualquer momento, se o CD julgar necessário, pode haver alteração.

Mesmo assim, o novo estatuto corinthiano está anos luz a frente do anterior, no entanto, ainda é preciso que haja muita luta pela democratização do Sport Club Corinthians Paulista.

O lancenet! publicou algumas das “boas” mudanças da reforma estaturária, vários pontos são discutíveis, vejamos:

Eleição presidencial:
Será realizada com os votos dos associados do clube (antes era realizada apenas com os votos dos conselheiros)

Reeleção presidencial:
Proibido acontecer com presidentes que exerceram mais da metade do mandato (antes a possibilidade era ilimitada)

Condição para ser candidato :
Não há obrigatoriedade de o candidato a presidência ser conselheiro vitalício (antes era uma situação obrigatória)

Quantidade de conselheiros:
300 no total, Sendo 200 trienais e 100 vitalícios (antes eram 400 no total, com 200 quadrienais e 200 vitalícios)

Para ser conselheiro vitalício:
Eleito pelo Conselho Deliberativo (antes era apenas indicado pelo presidente)

Situação de associado:
Proibição de concessão de anistia das mensalidades no período de um ano antes das eleições (antes a anistia era permitida a qualquer tempo e razão)

Cori:
Obrigatoriedade de participação do Conselho de Orientação em qualquer transação envolvendo atleta profissional no valor superior a 40 mil salários mínimos ( antes não havia a necessidade do parecer do Cori)

Clube e futebol:
Obrigatoriedade de separação da contabilidade do departamento de futebol (antes inexistia a separação dos valores gastos no clube e os valores gastos com o time de futebol)

De bom mesmo, considero apenas a obrigatoriedade de separação da contabilidade do departamento de futebol. No mais, além da letra A abrir precedente para que se anulem todas as mudanças descritas acima, há ainda conceitos distorcidos, por exemplo, no que tange aos conselheiros vitalícios. Noticiaram que para se tornar vitalício, de acordo com o novo estatuto, faz-se necessária eleição pelo Conselho Deliberativo e evidencia-se que anteriormente só se tornava vitalício por indicação do presidente. No entanto, se analisarmos o antigo estatuto, artigo 68, veremos que:

§ 2º Os membros vitalícios deverão corresponder a 50% (cinqüenta por cento) da totalidade e as vagas existentes, ou as que venham a ocorrer, serão preenchidas por indicação da Diretoria, com a orientação do CORI e aprovação do CD.

Grande mudança, não?

É muito triste que a situação no Corinthians se assemelhe tanto à situação das eleições no Brasil. Onde necessito optar pelo candidato menos ruim e dar a ele a minha aprovação, apesar de saber que nem de longe é o que espero, para, assim, tentar evitar que outro ainda pior se eleja. O nosso futebol realmente é a cara do Brasil. E como!

Votar “sim” para algo que sabemos conter uma enorme brecha que permite, a qualquer momento, que alguns ratos do Conselho voltem a dominar o Corinthians? (Como se algum dia tivessem deixado de dominá-lo). Eis o nosso paradoxo.

Enquanto isso, continuaremos com o “presidente fantoche”. É fantoche, porque ele estará de mãos tão atadas quanto os associados para qualquer mudança estatutária, desde que não seja reconhecida, preliminarmente, pelo CD, a necessidade da alteração, conforme reza o dito “novo, moderno e democrático estatuto”.

A solução? Por enquanto, manter os olhos bem abertos e saber que a luta apenas começou. É o que tem pra hoje.

Salvem o Corinthians!


3 Comentários so far
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Esse é mais um daqueles engodos, a não ser que chegasse ao poder alguém bem intencionado que não quisesse abusar das brechas desse novo estatuto, só que pra algo assim acontecer nós teríamos de torcer pra uma terceira força surgir pleiteando o poder no clube, uma terceira força bem intencionada e que não fosse barrada pela corja viciada, ou seja, não é pouca coisa…

Larissa: Penso da mesma forma…pior…temo que tudo isso seja utopia de pessoas que pensam como nós.

Comentário por Shadow

Continuo insistindo em minha pergunta: Por que a Policia Federal não está investigando essa turma toda ou, se está, por que não age?

Larissa: Conveniência será?

Comentário por loumello

Larissa, o entendimento que faço deste artigo é que qualquer alteraçao partirá do Conselho Deliberativo e seja la qual for a alteraçao, ela será levada para homologaçao da Assembléia Geral. Portanto, se atraves da AG o associado dizer “Não”, não haverá alteraçao. Quanto a alteraçao, nada impede que um associado ou um grupo de associados encaminhe a um conselheiro ou um grupo de conselheiros um conjunto de modificações e a partir disto, seguir o trâmite internamente no conselho. Seja la como for, não acredito que o associado e o torcedor corram riscos do estatuto ser alterado na calada da noite, como na época de Alberto Dualib.

Larissa: Entendo o seu ponto de vista, no entanto, a mudança que tanto queríamos era que a Lei se fizesse cumprir e a lei dá a AG o poder de decisão. O nosso estatuto, dá mais ou menos, porque soberano mesmo é o CD. A AG só vota no que o CD julgar necessário. O começo de uma Democracia no clube, penso eu, não deveria partir daí. Mas também julgo esse novo estatuto melhor que o antigo. Digamos que foi um pequeno grande passo.

Comentário por Silvio Romoaldo Jr




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