Corinthians: Preto no Branco


Corinthians para salvar o cinema?
setembro 2, 2008, 3:35 am
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Trecho da reportagem da revista Época (30/08/2008):

O cinema nacional está de ressaca.

Desde os festejados e inesperados 2,1 milhões de espectadores de Meu Nome não é Johnny, em janeiro, nenhum dos 35 filmes brasileiros lançados até agora superou a bilheteria de 500 mil pessoas, considerada mínima para satisfazer os produtores.

A esperança para afastar a aparente crise que ronda o mercado com a queda cada vez maior de público, está em Linha de Passe, o novo filme do diretor Walter Salles e da co-diretora Daniela Thomas que estréia na próxima sexta, dia 5 de setembro. Coincidência ou não, Walter Salles é responsável por Central do Brasil, que em 1998 atraiu milhões de pessoas aos cinemas e foi um dos longas que ajudou a consolidar a retomada do cinema brasileiro, de recuperação da produção no país depois de sua quase extinção durante o governo Collor.

Não que a questão do público pareça preocupar Walter. “Para começar, cinema não é sabão em pó”, afirma. “O papel do cinema é gerar uma memória de nós mesmos, um retrato de uma sociedade num dado momento”, diz. E essa função Linha de Passe desempenha com maestria. Trata da história de Cleuza (Sandra Corveloni, ganhadora do prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes deste ano) e seus quatro filhos. Empregada doméstica, grávida, moradora da periferia paulistana, Cleuza só encontra sentido na vida em torcer pelo Corinthians e lutar para ser o fio de afeto que une sua família disfuncional, desprovida da figura paterna. O filme foge da recente opção do cinema brasileiro em abordar a violência e o tráfico. Prefere retratar a angústia de uma jovem geração de brasileiros em busca da vontade de pertencer a algo, apesar da sensação de abandono – do Estado ou da família desagregada. O opressor gigantismo cinza-asfalto de São Paulo e as estupendas atuações filmadas por uma câmera urgente similar a de documentários fazem de Linha de Passe uma das mais poéticas produções desde Central do Brasil (1998).

Em entrevista exclusiva a ÉPOCA, por e-mail, Salles falou sobre o processo de filmar Linha de Passe, a atração pelo gigantismo opressor de São Paulo, a irritação com a busca por sucessos de bilheteria nacionais, e a apreensão de usar uma câmera documental e atores pouco experientes no cinema: “É como pular do alto de um penhasco sem ter certeza que o pára-quedas vai abrir.

Nota da Larissa: Sempre fui grande apreciadora do cinema tupiniquim, gosto da abordagem, geralmente da vida cotidiana, que remete muito a um período da literatura, conhecido como Realismo, também um dos meus preferidos.

Os nossos filmes, diferente dos besteiróis americanos, possibilitam que se trace um paralelo com a vida privada, são reflexivos, costumam fazer pensar, coisa que aliás, o brasileiro anda precisando. E logo se nota o por quê da baixa no setor cinematográfico, na certa, a tribo tupiniquim está assistindo alguma comédia meia-boca feita na gringa.

A cultura nacional está cada vez mais expatriada. Brasileiro tem mesmo a mania de achar que só presta o que vem de fora e perde grandes oportunidades de conhecer as maravilhas produzidas aqui mesmo. É que o povo precisa aprender a ver aquilo a que não foram educados a perceber. Pois ocorre que “educar, que é forma de libertar, também pode ser a chave do domínio. Quando a palavra educar perde o sentido geral e se qualifica como estratégia de dominação, podemos, não raro, perder o sentido mais agudo da capacidade crítica.”. E especialmente no caso do cinema nacional, é preciso um exercício de deseducação do olhar.

Para tornar mais claro: por que achamos que o filme brasileiro é cheio de palavrões, quando é o cinema americano quem mais xinga no mundo? Ou por que acusamos nosso cinema de pornográfico? Simples. Somos educados para não gostarmos daquilo que representamos. Uma detestável vergonha daquilo que somos e fazemos.

O cinema entra em crise e lá vamos nós… Falar do Corinthians do povo, deve vender né?

Mas o problema não está no nosso cinema. Está na nossa complexada nação.

Já é passada hora de nos despirmos dos preconceitos para submergir na tela que fala a nossa língua. Vamos perder a vergonha daquilo que somos. Perder a vergonha até para não gostar, mas que possamos ver e refletir para poder opinar. Opinião! É disso que o brasileiro precisa mais.

Dito e feito isso… cá entre nós, sempre é bom atestar a capacidade do Corinthians em mobilizar as massas. Realmente, uma das maiores marcas do Brasil.


2 Comentários so far
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“Opinião, é disso que o brasileiro precisa mais.”

Em cima dessa frase, vou dar a minha opinião sobre o tema, rsss

A questão é justamente essa, o brasileiro tem a mania de se apegar a estigmas, não tem o costume de se informar para formular sua própria opinião.

Na maioria dos casos aqui o gosto do povo se pauta em cima de conceitos pré-fabricados.

Larissa: É. Conceitos e preconceitos pré-brabricados.

Comentário por Shadow

Muito bom o seu texto. Descreveu com maestria o nosso “complexo de vira-latas”. O que tem de “Fu…you” en filme americano é uma grandeza, e os tontos aqui, acham lindo.
Exatamente, fomos “treinados” a achar que tudo que é nosso não presta.
(até o Corinthians, as vezes, nossos não prestam, os outros sempre são melhores. rsrsrsrs)

Larissa: Maldito complexo de inferioridade!

Comentário por Jarbas




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