Corinthians: Preto no Branco


Resumo da ópera
setembro 25, 2008, 6:06 am
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Ontem (quarta-feira) fui ao Pacaembu para assistir Corinthians x Bragantino, no que pode ser considerado o jogo de acesso do Timão. Logo de cara vi um torcedor com uma faixa e os seguintes dizeres: “Estamos de volta! Agora já posso morrer em paz”. Enfim, pensei em escrever sobre o jogo, sobre o clima do estádio e tudo o que envolve uma partida do nosso time do coração. Mas antes que eu pudesse chegar em casa, dois dos amigos que me acompanharam ao estádio resumiram perfeitamente a noite de quarta-feira, um falando do jogo em si e o outro falando da beleza que é assistir a uma partida de futebol. Resolvi publicar logo os textos de ambos que expressam tão bem a minha visão:

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E ainda bem que futebol não é automobilismo…

Por Paulo

Eu poderia apenas analisar o jogo contra o Bragantino, poderia fazer um raio-X puro e simplesmente do comportamento de Mano Menezes durante essa partida, porém, talvez valha mais apontar os erros onde ninguém vai se interessar em procurar, por conta do resultado positivo.

Ocorre que no sábado, após vencermos o time de Campinas, foi muito elogiada a postura do treinador que manteve o time jogando em cima mesmo com a vitória parcial, acertou nas substituições da segunda etapa (com a ressalva daquela entrada do Bruno Octavio justificada por suposta contusão do Carlos Alberto) e com isso colaborou para um bom desempenho como há muito não se via.

Hoje, no entanto, não vou nem falar da parte tática, que foi OK, e OK já é suficiente pra ganhar sem brilho, porém sem sustos, de qualquer time da segundona.

Também não vou falar da postura, porque o time fez 2 a 0 antes que o recuo em demasia pudesse ter ficado evidente e irritante.

O que vou fazer então é falar sobre as alterações. Como foi infeliz nas trocas o Mano! Fosse futebol igual automobilismo, traçando um paralelo entre paradas no box e substituições, o “carro” alvinegro estaria condenado na prova, pois em três oportunidades teria parado para que os mecânicos colocassem pneus carecas.

O Saci entrou bem no último jogo, em dez minutos fez mais do que 90% do time, como prêmio hoje, nem entrou em campo.

O Otacílio Neto teve uma boa estréia no segundo tempo contra o Brasiliense e como recompensa nem foi relacionado para o jogo contra a Macaca e agora contra o Bragantino apenas assistiu tudo do banco.

Enquanto isso, Lulinha, justo esse, foi o 12º jogador de Mano nessa quarta-feira, o primeiro a entrar, na primeira troca. Pra quê? Ninguém explica, tecnicamente não tem explicação, agora, se a necessidade de escalar esse moleque sempre em evidência fica cada vez mais nítida, paciência…

Depois foi a campo Diogo Rincón e logo em seguida veio Eduardo Ramos.

Pra nossa sorte, não restavam mais do que cinco minutos após toda essa lambança, porque foi tempo suficiente pra se notar uma desestruturação total.

Se a entrada do Lulinha, ainda que no lugar do Dentinho (que apesar do gol foi o mesmo jogador fraco da partida passada) já havia dado uma quebrada no time, quando ocorreram as outras duas trocas a coisa degringolou de vez.

Sorte que é série B e errar nessa competição nem sempre é determinante, aliás, quase nunca é.

Mas pra série A, não dá não…

E os “ponderados” defensores do treinador, que não concordarem com essa minha tese das substituições estapafúrdias, injustas e sem nexo, podem voltar com a teoria de que “quando ganha de 2, criticam dizendo que podia ser 4”, se for o melhor argumento que encontrarem pra defender algo que não vejo como possa ter defesa, digo, a única defesa pode ser mesmo o resultado final, mas de fato, talvez com as substituições mais interessantes pudesse ter sido 4 ao invés de 2 mesmo ué, fazer o quê?

E não, não estou desaprovando as trocas efetuadas por necessidade de mostrar que continuo um crítico do Mano, mas sim porque as substituições foram ridículas mesmo. Não comprometeram os 3 pontos, mas foram ridículas, tanto que penso que quem for ponderado, há de concordar com essa ponderação.

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O Prazer Especial de Estar no Estádio…

Por Walter

Depois de mais uma noite agradável no estádio municipal, cruzei a noite escura da cidade em devaneios.

Enquanto dirigia, relembrava as histórias contadas por meu avô calabrês, por meu pai e por meus tios.

Relembrei a mesa de bar da noite.

Um amigo contou, com olhos marejados, do último jogo que viu com seu pai numa praça esportiva. E do sonho revelador que depois teve.

Historinha curta, mas que me tocou, e muito.

Outro, mais veterano, contou algo parecido, de como o pai lhe anunciou que estaria em campo o grande esquadrão.

Como esses companheiros, aprendi muito de valores, amor e fidelidade com meu pai, nos campos de futebol.

A experiência é única, ampliada pela festa coletiva, pelo aroma de grama que vez por outra nos chega, pelos cânticos que ajudam a fixar as impressões na memória.

Cada jogo é como uma vida inteira compactada. Tem a expectativa, o plano, a tentativa, o conflito, a criação e o resultado.

Se há vitória, reforçam-se os laços, costurados na alegria compartilhada.

Se há um revés, reforçam-se assim mesmo os laços, escorados no consolo do ombro amigo.

Não existe cenário e teatro mais educativo, mais propício à construção do conhecimento.

Mistura-se a física com a psicologia, a música com a biologia. Ali, tem tudo que uma criança e um jovem precisam aprender.

Nossa turma desta quarta-feira, por acaso, tinha uma família, com pai, mãe, filha e sobrinho. Coisa bonita de se ver, rara comunhão.

Se é o Corinthians em campo, então, essa experiência pedagógica se potencializa.

Somos a Fiel e, a cada aventura no estádio, nos fidelizamos ainda mais.

Aprofundamos amizades, aprendemos in loco sobre os mistérios do mundo, dramatizados na relação
entre atletas e torcedores.

Pais (e mães), portanto, deveriam ter como obrigação mensal ou semanal freqüentar estádios com seus filhos.

Trata-se de um exercício de compreensão mútua e de construção do rico tesouro da memória dos afetos.


5 Comentários so far
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Obrigado pela publicação do meu texto e também pela segunda publicação, que relembra bem o clima agradavel dessa partida.

Agora resta esperar pelas críticas, em cima das minha críticas mesmo com vitória, rsss

Mas que conste, quem disser que a entrada do Lulinha como primeira opção estava correta, só pode estar de sacanagem pra defender o treinador de toda e qualquer ação.

Comentário por Paulo (Shadow)

que texto lindo esse do walter,resumiu tudo a emoção que é de se estar no estádio,das experiências,das lições de vida
Nunca esquecerei das vezes que pisei numa arquibancada de futebol,não tem sensação mais gratificante,você esquece dos seus problemas,ali se esquecem preconceitos,todos viram iguais,todos viram a fiel torcida

Comentário por Roger

Larissa, o segundo texto é bem representativo do sentimento de corinthianismo que a gente sente, mas quero escrever algo sobre o primeiro texto, que mostra bem o que eu disse em outro tópico seu, sobre o Lulinha e os juniores do Corinthians.

Dentre todos os aspectos positivos do jogo de ontem, escrever tudo isso sobre a presença do Lulinha em campo mostra como alguns torcedores não prestigiam os jogadores do clube, e só vão dar valor quando os mesmo estão longe, fazendo seus gols e rendendo dinheiro a outro clube. Pior, exaltando jogadores completamente comuns como Saci e Otacílio Neto, que em outras épocas não passariam nem na porta do Pq. S. Jorge e que até agora não mostraram a que vieram (o Saci mostrou: foi expulso infantilmente na final da Copa do Brasil).

O Corinthians já está com a passagem de volta à série A carimbada, e precisa aprender a valorizar o que é seu.

Comentário por Pachecão

Primeiramente, com a entrada do Lulinha, o time se comportou bem, criando (e perdendo, é verdade) várias chances. A entrada do ER e do DR, eu vejo mais como uma espécie de Vestibular, que deve ser mais frequente a partir de agora. Jogo ganho, vamos ver com quem podemos contar, e quem será dispensado, já pensando no ano que vem.
Sobre o Saci…não sabia que cornetas gostavam de jogador do Carlos Leite…

Comentário por Sergio

Bom, como defensor do Mano, você se refere principalmente a mim. Então atendendo sua sugestão aí vai a minha defesa:

Daqui para o final, se houver folga na tabela, Mano, colocará em campo todos os jogadores do elenco, voltará Perdigão, Denis, e todos os outros que você e alguns chamam injusta e soberbamente de “perebas”.

Também escalará sempre que o jogo permitir, com folga no placar, Careca, Bebeto, enfim todos os demais jogadores que “compõem” (sabe o que e compor elenco não é?)

Até o goleiro Julio Cesar, também.

Isso é o que eu espero de um treinador que considero entre os mais decentes éticos e leal, que considero hoje no país.

Agora, isso realmente, não importa, a minha opinião ou a sua, o que interessa realmente, é o que o elenco, e os jogadores, pensam e acham de seu legitimo comandante.

No fundo isso é o que vale. Detestaria ter um treinador que me agradasse, e fosse desleal com seus comandados.

E isso efetivamente Mano não é, por mais que você insista nisso.

É apenas seu ponto de vista, assim como é o meu a favor.

Desse modo, o importante é que o elenco o aprecie, e jogue para ele, não para mim ou para você.

Mesmo porque, qualquer que fosse o treinador, sempre haveria um blogueiro ou criticos que não gostassem.

Já não dizem, que a unânimidade é burra?

Mano não é unanimidade, ainda bem.

E ontem, me emocionei com a vontade e garra da equipe, simplesmente espetacular, e me sinto particularmente premiado, por ver que hoje o CORINTHIANS, tem uma EQUIPE, e não um amontoado, como costumam dizer por aí.

E o Cristian (novo Mano do Mano), me fez lembrar o Vampeta, (como o Shadow lembrou aqui).

Soberano, e não errou um passe sequer.

Dormi felicissimo ontem, além de correr, o Timão venceu.

Agora para a série A, realmente é outra historia, concordo com você, o novo treinador que virá, deverá se desfazer de todo esse elenco de perebas, e montar um novo time.

Começar do zero. De novo…

Comentário por Jarbas




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