Corinthians: Preto no Branco


Torcedor Contribuinte
novembro 18, 2008, 4:26 pm
Filed under: Uncategorized

Os leitores do blog devem recordar de um post que fiz dias atrás comentando algumas possibilidades de captação de recursos para o clube que envolviam e beneficiavam diretamente o torcedor e o Corinthians.

As idéias foram levantadas pelo torcedor Pedro Mello que junto com a blogueira, mantém uma comunidade corinthiana no orkut que visa propor sugestões para reverter o quadro financeiro do clube, além de democratiza-lo, dentre outras pautas.

Você pode reler as informações no seguinte link: https://larissabeppler.wordpress.com/2008/10/24/ideia-de-torcedor/

Pois bem, o pai do corinthiano Pedro, o também alvinegro Lou Mello que mantém um blog, inclusive relacionado neste, resolveu organizar as idéias e coloca-las em formato de projeto para que possamos apresentar ao clube. O presidente do Conselho de Orientação do Corinthians e também do Tribunal de Contas de São Paulo, Antonio Roque Citadini, foi um dos que leu e aprovou o projeto, publicando-o em seu blog.

Para facilitar aos leitores, vou reproduzir o texto de Lou Mello aqui:

Projeto de Captação de Recursos

O futebol profissional, assim como todos os esportes de competição, oferece uma razoável gama de fontes de recursos. Devido a fatores como a velha lei do passe, a presença de inúmeros empresários nacionais e internacionais, a fonte de recursos mais procurada é a gerada pela negociação de jogadores. Na verdade, a pior opção para um time de ponta.

Entretanto existem outras, nada desprezíveis, algumas pouco trabalhadas no âmbito dos clubes e times que disputam as principais categorias da modalidade. A receita gerada com a venda de ingressos, por exemplo, é uma delas. Inexplicavelmente, há um total desinteresse por essa receita, aparentemente. O desprezo é tanto que a quantidade de ingressos distribuídos aos torcedores, com finalidades pouco elogiáveis, é absurda e visa utilizar essas pessoas como massa de manobra, muito utilizada pelos últimos presidentes e diretores de futebol.

Além disso, vale lembrar, há a revenda de produtos (camisas, material esportivo, etc) que sempre produz uma receita legal para qualquer equipe, sem falar na venda de espaço para propaganda nos uniformes, embora no formato atual, sobre uma parte muito pequena para o orçamento do futebol. Soma-se a tudo isso, valores obtidos com direitos de televisionamento e imagens, sem esquecer que todos os atores tem direito a alguma parcela disso.

Minha intenção aqui é tratar mais acuradamente da fonte de receita representada pelo torcedor amador. Alguns clubes os chamam de sócio torcedor.

Até aqui, o torcedor tem sido visto como um mero consumidor. Ledo engano. O torcedor deveria ser encarado como a pessoa mais importante na rede de sustento de uma equipe de futebol. Para começo de conversa, o ideal seria separar o clube do time, em termos administrativos. Quando isso não acontece, é muito comum que um acabe sabotando o outro.

Cada um desses segmentos precisa construir sua própria rede de mantenedores, independente.
Isso não é tarefa para qualquer um e muito menos para marketeiros acostumados a desenvolver produtos. O que acontece quando essa gente assume essa tarefa é começar a desenvolver quinquilharias (kits, camisa com nome de torcedor, relógio, bótom, etc), para descobrir que o resultado não chegará a ser satisfatório.

O clube deverá ser mantido com as receitas obtidas pelo pagamento das taxas de manutenção pelos sócios do clube, em quantidade capaz de arcar com as despesas orçadas. Esses sócios, ganham o direito de freqüentar e utilizar as dependências do clube, com fins de lazer. Além disso, por força estatutária, são eles que elegerão o conselho e a diretoria do clube, a cada dois anos, no caso do Corinthians.

O torcedor é um segmento importante na rede a ser formada para manutenção exclusiva da equipe de futebol, podendo ser estendida a outros esportes, desde que isso seja mantido em contas separadas. O perfil do torcedor é o do aficcionado pelo time. É ele quem vai aos jogos, acompanha o desempenho da equipe, sofre, compra jogos pela TV, aguenta a gozação de bambis e porcos, etc. Esse torcedor inclui a disposição e capacidade de contribuir financeiramente para a manutenção da equipe, variando para mais ou para menos, dependendo do desempenho. Em nada ele poderá ser comparado ao membro das torcidas organizadas, que pertence a uma outra entidade distinta.

A partir desse perfil, será possível planejar a arrecadação através dessa fonte. Para isso é preciso saber o montante total necessário previsto em orçamento e quanto caberá para ser arrecadado via torcedor contribuinte, incluindo o custo do serviço e, com base em parâmetros conhecidos pelos profissionais dessa área, calcular o número de torcedores necessários para garantir um determinado montante de doações, através da média mensal de doações.

Uma vez decidido o número de torcedores necessários, e esse contingente será cultivado entre os mais de vinte e cinco milhões espalhados pelo país, a começar de São Paulo, uma campanha maciça será lançada, através da mídia, com a finalidade de cadastrar todos os torcedores. Os torcedores cadastrados serão considerados potenciais torcedores contribuintes, embora não tenham a obrigação de fazê-lo. Critérios de efetivação deverão ser estabelecidos, tais como cartão do sócio torcedor com capacidades para ingressos, doações, descontos e outras tarefas, possibilidade de manifestar preferências (técnico, diretor de futebol, jogadores) em site e outros.
Estimo que cada milhão de torcedores contribuintes poderia gerar uma receita mensal fixa mínima da ordem de um milhão e meio de reais (R$ 1.500.000,00). Creio ser muito provável o alvo de um cadastro de, pelo menos, dez milhões de torcedores. Esse número garantiria o contingente de um milhão de doadores e uma receita mensal mínima de Quinze milhões de reais.
Esse projeto precisará ser bem detalhado e isso não será tarefa para amadores e pessoas não treinadas para tanto, mesmo que sejam experts em outras atividades.

Para ler o projeto no endereço original: http://corinthiansyes.blogspot.com/2008/11/o-scio-torcedor.html

Nota da Larissa: Reafirmo o que disse na época: são sugestões simples e que trariam benefícios ao clube e ao torcedor corinthiano, mas que, como quase tudo no Brasil, são postas para escanteio em detrimento do uso político e das negociatas obscuras.

Possivelmente, muitas dessas projeções sejam até utópicas, mais pelo costumeiro jogo de interesses políticos do que por qualquer outra razão. Mas ainda assim, vale mostrar que gente consciente e preocupada com o Corinthians há aos montes, só estão nos lugares errados (leia-se fora do Parque São Jorge).

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6 Comentários so far
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Larissa,
Sou Sãopaulino e vi seu post no blog do Paulinho. Primeiro fiquei surpreso de uma pessoa tão bonita e que escreve tão bem ser corinthiana (brincadeirinha).
Achei o projeto de sócio torcedor do corinthians interessante. Aliás, sempre falo que o SPFC tem sorte de ter uma diretoria que é só “medíocre” (não acho que seja boa como muitos falam).
O duro é que só por ser medíocre perto das diretorias dos outros clubes que são “desastrosas” já faz com que possamos desempenhar um papel mais ou menos digno.
Fico pensando o dia em que o Flamengo e o Corinthians tiverem uma diretoria mediana. Ninguém mais segura. Seus números são a prova disso.
Vou torcendo pra continuar assim…
Ps. Acho o futebol uma coisa maravilhosa, que me dá muita alegria, serve pra zoar os amigos corinthianos e palmerenses… Aliás, acho ótimo o corinthians voltar, grandes times não existem sem grandes rivais. Da mesma forma que fui muito zoado de 95 até 2000, agora é a nossa vez. E não tem nada de mais, isso só aumenta a diversão.
Louco é quem briga e se mata por causa de futebol. Esses não gostam de futebol.
Abraço.

Larissa: Seja bem-vindo Alexandre, o blog é corinthiano até a alma, mas até por isso, bem frequentado por rivais e eu sempre fiz questão de estimular a rivalidade saudável. Concordo com você em absoluto. Aliás, quando informei ao autor das idéias que o texto dele havia sido publicado por Citadini, sabe o que ele me respondeu? “Daqui a pouco o SP anuncia esse projeto aí e a gente fica tentando vender o Dentinho.” É bem por aí. Quanto a diretoria tricolor, pode-se dizer que em alguns aspectos envolvendo o futebol, logicamente, é superior.
Por exemplo, o São Paulo tem chegado em campeonatos de base e Copas SP com a mesma freqüência que o Corinthians em fases avançadas. Porém é só ver o quanto eles insistem com moleque “apadrinhado” que não vai pra frente e o quanto o Corinthians insiste aqui pra comparar. Todo ano o São Paulo tem uns 3 atletas na Copa SP que a mídia pinta como novos “Raís” e a gente não vê eles atoxados no time profissional o resto do ano inteiro. Enquanto no Corinthians, já vamos para dois anos insistindo com Lulinha que não sabe nem o que é bola e pagando oitentinha por mês pra ele. Mesmo com seus rolos, outras diretorias interferem menos no que se refere a afundar um time de futebol diretamente com suas ações nefastas.
Sobre torcida e rivalidade, concordo plenamente.

Comentário por Alexandre Baseggio

O atual modelo adotado no Corinthians chamado “Fiel Torcedor” apresentou vários erros de execução.

Existe uma gama de opções incrível para se fornecer ao torcedor Corinthiano para que este contribua financeiramente com o Futebol profissional, mas essa seria uma relação de confiança do mesmo para com a administração.

E convenhamos, confiança é uma coisa dura de se conseguir, não é mesmo?

Como saber se o nosso suado dinheirinho está sendo empregado com honestidade e competência em benefício do nosso amado Corinthians?
E mais, quais os benefícios que vem em troca para quem contribui?

Eu contribuiria com um certo valor mensalmente, se isso me trouxesse de volta alguma alegria, como poder assistir aos jogos pela TV de maneira diferenciada, por exemplo, ou no estádio quando me fosse possível em razão de minha agenda, recebendo os ingressos pelo correio.

Já outras pessoas de maior poder econômico não se furtariam em fazer uma contribuição muito maior em troca de regalias tais como lugar coberto, local vip, alimentação incluída no preço, e por aí vai.

Da mesma forma existem pessoas humildes que se contentam em contribuir simplesmente comprando um ingresso a preço baixo, e sofrer no meio da massa, mas com dignidade, é claro.
Com um banheiro decente e produtos a preço honesto e popular para consumir durante o jogo.

Paguei R$ 4,00 num picolé para o meu filho, e R$ 3,00 num salgadinho no último sábado, um preço realmente abusivo, e sem lembrar que é proibido levar qualquer alimento para dentro do campo.

E o cara que ganha pouco? Como ele se vira?

Quantas vezes ele pode ir no campo pra apoiar?

Sem falar dos horários, que excluem os que moram mais longe dos jogos noturnos, já que o metrô e os trens só funcionam até meia noite.

O colega são-paulino falou tudo, enquanto ele tem uma administração apenas mediana, as nossas são desastrosas, e pagamos o preço.

E bom seria se as grandes torcidas do Brasil pudessem assistir campeonatos sempre equilibrados, em estádios decentes e lotados. Com os troféus e títulos sendo disputados mais em função do que acontece em campo, do que pelas mãos dos administradores.

Abraços,

Freeman.

Comentário por José Freeman Junior

Cooperfiel II o retorno ..tcham…tcham…tcham.

ehehehe

O q tem de Bambi entrando em blog do Timao ultimamente eh uma grandeza. Tem alguns que ja sao maioria absoluta.

Sera q eh o melzinho q se coloca na boquinha delas?

ehehehehehehehehe

Comentário por ToFicandoRouco

Larissa,

Gostei muito desse projeto.
Fiz até um comentário no blog do Paulinho e dei uma cutucada no Citadini, pois tomei conhecimento através do blog dele.
Na verdade, achei estranho encontrar um projeto tão legal num blog( Citadini) de um cara que quando teve a chance dele de mostrar serviço no clube mnão o fez, e preferiu ficar de animador de programa de auditório.

Larissa, parabéns pelo seu blog. Adoro seus coments. AH! te adicionei no orkut e até hoje não obtive resposta. Me aceita vai!!!!!!!rsrsrs

Comentário por william caridade

Larissa. Gostei demais do projeto e acredito ser a solução para a eterna mania de alguns em achar que somente sócios pagantes do Corinthians é que ajudam o time!!! Trata-se de uma inverdade pois quem se informa sabe que a área social do clube é e sempre foi sustentada pelo departamento de futebol. Esta seria uma grande oportunidade para que os torcedores não associados pudessem participar das tomadas de decisão no Corinthians. Mas o Freeman levantou uma lebre!!! E a confiabilidade? Como estes recursos seriam fiscalizados? É um caso pra se pensar! Acho que com um pouco mais de estudo e planejamento poderia ser resolvido.

PS – Maravilhoso seu comentário de ontem no Blog do Paulinho (post sobre Marlene Matheus). Manifestação do mais puro corintianismo.

Comentário por LINCOLN

[…] recursos para o clube e envolvia e beneficiava diretamente o corinthiano e o Corinthians. Trata-se do torcedor contribuinte, que aponta a relevância de tratar o torcedor como a pessoa mais importante na rede de sustento de […]

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