Corinthians: Preto no Branco


Justiça que tarda…
dezembro 6, 2008, 12:09 pm
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São Paulo, 15 de dezembro de 1994, Pacaembu, primeiro jogo das finais do Campeonato Brasileiro, Corinthians x Palmeiras, o comerciante Paulo Sérgio Costabile Elias, de 31 anos, foi morto a tiros, na Avenida Henrique Schaumann, por volta das 23h45m ao deixar o estádio após a partida e encontrar, por azar, com um grupo de palmeirenses da torcida organizada Mancha Verde (Alviverde).

O autor dos disparos, Vanderlei Ricardo Lopes, bancário, estava com um irmão e dois amigos quando sacou o revólver para revidar a provocação de dois corinthianos, que estavam em outro carro. Sem qualquer envolvimento com a briga, Paulo Sérgio foi atingido quando passava pelo local com outros quatro torcedores do Corinthians na traseira de uma Saveiro, entre eles, o tenista Jaime Oncins que afirmou ter ficado dez anos sem ir a estádios depois do ocorrido.

No dia 10 de agosto de 2001, somente sete anos após o crime, houve o primeiro julgamento e Lopes foi condenado por unanimidade – 7 votos a favor e nenhum contra. No entanto, o acusado recorreu da sentença e aguardou em liberdade o novo julgamento por ser réu primário.

Ontem, 05 de dezembro de 2008, tardios quatorze anos do assassinato e cinco anos da data prevista, o novo julgamento, foi marcado para as 9 horas, no Fórum da Barra Funda e, finalmente, alguma justiça à família do corinthiano foi feita.

Ao ouvir a sentença, a mãe da vítima retirou da bolsa uma fotografia e ao beijar a lembrança que restou de Paulo Sérgio, disse: “Descanse em paz, meu filho.” Ela que esteve nervosa durante todo o julgamento, após quatorze anos de luta por justiça, revelou: “Mesmo que ele (Vanderlei) não tenha saído daqui preso, considero uma vitória contra a impunidade.”

É o consolo que resta à família que perdeu um filho, um ente querido, uma vida para a ignorância que paira sobre esse país, talvez por essa falta de estrutura e educação nacional somadas às péssimas condições de segurança e justiça.

Este é um caso que retrata exatamente a impunidade no Brasil e o porquê desse tipo de barbaridade ocorrer com tanta freqüência. Não existe punição. Ele matou e está até hoje em liberdade. Justiça tardia é também uma forma de injustiça. Agora a famíla, além de perder o ente querido, comemora uma condenação cujo assassino seguirá em liberdade até o último recurso a ser interposto por seus advogados.

De maneira até paradoxal ocorreu uma condenação, uma decisão por parte do sistema judiciário que não cumpre o papel que deveria desempenhar: colocar os criminosos atrás das grades.

Do blog, ficam as sinceras homenagens ao corinthiano, que, enfim, possa descansar em paz e os sentimentos à família, agora, mais confortada pelas mãos da “justiça” porque foi o que lhe restou e jamais recuperada das marcas de uma tragédia impiedosa como esta. Fica também o apelo aos torcedores para que hajam com a dignidade, hombridade e consciência de que futebol é vida e, como costumo dizer, Corinthians x Palmeiras é tradição e que assim seja no campo e não mais nas páginas policiais e corações feridos de pais e mães.

Que os campeonatos valham troféus, medalhas, premiações, choros e risos, mas que nunca custe vidas, porque a vida de um ser humano não tem preço, campeonato ou time que valha.


2 Comentários so far
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Difícil comentar esse assunto, já se passaram 14 anos, o processo ainda está correndo e não há uma prisão de fato.

Se já não é aceitável a impunidade com torcedores que organizam e alimentam esse tipo de confronto, o que dizer de uma sentença que em 14 anos ainda não está definida para um caso que resultou numa tragédia como essa?

Larissa: Difícil e triste.

Comentário por Paulo (Shadow)

Sabe, Lara(me desculpe a intimidade)…esse tipo de coisa me deixa deveras entristecido.
Sou do tempo(não vale me chamar de TIOZÃO, hein???Olha que fico BRAVO…brincadeira, rsrs)em que torcedores rivais viajavam lado a lado nos ônibus antes e após os clássicos…crianças, moças, idosos torcedores de vários times. Podia ser um Derby, um Choque-Rei, um Majestoso, um San-São…tudo na paz. A rivalidade ficava somente nos 90 minutos de jogo e era deixada no vazio dos estádios.
Me emociono só de pensar naqueles velhos e bons tempos…
Só que essa alegria não durou muitos anos…logo surgiram as organizadas, as separações de torcidas, a escalada da violência social, a rivalização doentia por parte até da midia, enfim, os TEMPOS mudaram…mas EU não mudei!!!! Eu anseio pela volta da PAZ nos estádios, na CIDADE em dias de clássicos, enfim!! Mas atualmente até mesmo não sendo dias de grandes clássicos armam-se EMBOSCADAS por parte de torcidas que nem mesmo teriam jogo nesses dias!!!! Pois então parece que INFELIZMENTE essa PAZ, não passa de UTOPIA nos dias de HOJE…
POBRES de nós, torcedores da PAZ…

Larissa: Dizer mais o quê? Só nos resta lamentar mesmo, mas como eu não disso, vou tentando, devagar, conscientizar as pessoas. Embora a violência seja um problema crônico e estrutural do nosso país, será somente a partir da conscientização que algum passo poderá ser empreendido no sentido de mudança. Abraços alvinegros da paz.

Comentário por Alviverde/SP




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