Corinthians: Preto no Branco


CORINTHIANS – 100 anos em 10 décadas
setembro 15, 2009, 2:23 am
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Celso Unzelte apresentando a história do Timão

Celso Unzelte apresentando a história do Timão

No sábado (12/09), já em crise de abstinência por falta de jogos do Corinthians, estive no Museu do Futebol, agregado ao Pacaembu, para assistir à palestra do corinthiano e jornalista Celso Unzelte. Na pauta, a história do centenário Timão.

Celzo Unzelte elaborou uma linda apresentação sobre cada década do Sport Club Corinthians Paulista e, ao final de cada uma, contou curiosidades pouco conhecidas sobre o time do povo.

Dentre os grandes corinthianos presentes, que tive a honra de encontrar, estavam o pesquisador Plínio Labriola, autor do estudo  “Corinthians: Resistência e Rendição – A gênese do Sport Club Corinthians Paulista e o futebol oficial em São Paulo – 1910/1916”, e os blogueiros do Timão, como o Filipe, a Thais e o Giulio, que fez o favor de resumir os principais tópicos da palestra para que eu pudesse conta-la neste blog.  

Eis, pois, alguns fatos interessantes relatados:

1) Não há prova documental de que o clube foi mesmo fundado em 1 de Setembro. É uma data indicativa. A primeira referência de jornal sobre a fundação é de 22 de Setembro daquele ano, embora os corinthianos da velha guarda, representados por Antoninho de Almeida, sempre tenham afirmado que o clube foi fundado como conta a história, à luz de um lampião no primeiro dia de setembro.

2) Segundo o jornalista, há pouca informação sobre os primeiros dois anos do Corinthians, na várzea, bem como sobre seus fundadores e primeiros diretores. Ainda é preciso pesquisar mais sobre essa fase.

3) Celso Unzelte mencionou o estudo de Plínio Labriola, através do qual chegou à conclusão de que não procede a informação que o Palmeiras teria sido formado por corinthianos dissidentes. Labriola atesta também que os italianos fundadores do Palmeiras, ao contrário, estavam ligados ao Conde Matarazzo e tinham tendências ultra-conservadoras.

4) Por ser popular, conforme Unzelte, o Corinthians encontra dificuldades para entrar na liga principal (LPF). Os clubes da elite são contra o ingresso do clube dos trabalhadores. Quando o Corinthians vence a fase classificatória, em seu ingresso na liga, vários clubes da elite a abandonam, em protesto, criando uma liga paralela (Apea).

5) O Corinthians é boicotado, em 1.915, e nem mesmo chega a disputar o torneio principal. Em 1.919, por pressão dos times da elite, o Corinthians é obrigado a desistir da inscrição de um atleta negro.

6) O grande craque, em estilo, dos primeiros anos, seria Amílcar Barbuy. Neco se destacaria mais pela vontade que pela técnica.

7) Na década de 20, não foram encontrados registros de jogos de Rebolo, pintor do Grupo Santa Helena, no primeiro quadro. É possível que jogasse no segundo quadro.

8 ) Em 1.922, o Corinthians é o grande campeão do Centenário da Independência.

9) Amilcar vai jogar no Palestra, no meio da década de 20. Primeiro time do Palestra, em 1.914, chegou a ter cinco jogadores do Corinthians.

10) Time campeão no início da década de 30, por força da fama, é desmanchado. Vários jogadores vão para a Lazio, da Itália.

11) Teleco é um dos grande heróis do Corinthians, apesar de esquecido pelas novas gerações. Uriel Fernandes, que chegou a cuidar da sala de troféus do clube, tem uma das melhores médias de gols do futebol mundial, acima até mesmo de Pelé. O corinthiano tinha mais gols do que partidas pelo Timão.

12) Na década de 40, iniciamos um jejum de 10 anos sem títulos do Paulista. Várias vezes batemos na trave, o vice-campeonato foi uma constante.

13) Exige-se uma renovação. E aí sobem meninos das bases, alguns trazidos de clubes como o Maria Zélia. O time de Idário, Luizinho, Claudio, Baltazar e Gilmar foi várias vezes campeão. Depois do título do IV Centenário, em 1.954, iniciamos novo jejum. Vicente Matheus se une a Wadih Helou e derrubam o folclórico presidente Trindade. Depois, Helou dá o golpe em Matheus e assume o poder.

14) O mal contado tabu contra o Santos valeu somente pelo Campeonato Paulista. O Corinthians venceu o rival da Baixada três vezes em outras competições, embora pouco se comente. O tabu cai em 1.968.

15) Em 1.969, quase ganhamos o Paulista e o Robertão (Brasileiro da época). Um das causas do fracasso foi a morte de dois craques do Corinthians (Lidu e Edu) em um acidente de carro na Marginal do Tietê. Esta, aliás, é uma das teorias sobre a alcunha do rival alviverde. Diz-se que na época, o Palmeiras impediu que contratássemos dois substitutos. A torcida começou a chamar Gimenez, o diretor palmeirense de “porco”, pela atitude calhorda. E, aí, pegou de vez o apelido nos adversários.

16) Perdemos em 1974 a chance de quebrar o jejum que já durava duas décadas. No lance do gol de Ronaldo, pelo Palmeiras, há falta em Rivellino, não assinalada pelo árbitro.

17) O termo “Timão” surgiu em 1.966, quando a diretoria contratou uma série de craques, como Garrincha, para acabar com o jejum. O time não decolou, mas a torcida assumiu a ideia de que éramos sempre um Timão.

18) Mais de 70 mil corinthianos dividem o Maracanã na semi-final do Brasileiro de 1.976. É o maior deslocamento humano em tempos de paz. Só após esta partida foram instituídas cotas de ingressos para os times visitantes.

19) Nos anos 70, temos uma nova safra de craques, como Zé Maria e Wladimir, que surgiu na base. Basílio, corinthiano desde a infância, faz o gol do título de 1.977 e acaba com o sofrimento do povo.

20) Biro-Biro e Sócrates se somam ao bom time do final da década de 70.

21) Waldemar Pires assume o poder, no início dos anos 80, e se livra das pressões de Vicente Matheus. Com apoio do
sociólogo Adilson Monteiro Alves, Wladimir, Sócrates, Casagrande e Zenon lideram a mundialmente reconhecida Democracia Corinthiana, o mais organizado movimento de conscientização política por meio do esporte.

22) O time da Democracia é forte e joga por música. Vence dois Paulistas em cima do SPFC. Quase chega à final do Brasileiro de 1.984, perdendo um jogo relativamente fácil para o Fluminense em São Paulo. A Democracia Corinthiana chega ao seu fim com a vitória de Roberto Pasqua nas eleições para a presidência do clube e a saída de Sócrates para a Fiorentina (ITA).

23) Os anos 90 são marcados por títulos expressivos e derrotas históricas. São três brasileiros, contando-se o de 1.990. Em 1.999 e 2.000, fomos favoritos mas perdemos para o arquirrival Palmeiras na Libertadores.

24) O Corinthians não foi convidado a participar do primeiro Mundial de clubes da Fifa, ao contrário do que se diz por aí, mas participa por ter sido o campeão brasileiro de 1.998, confirmando sua soberania em 1.999. É o representante do país sede e, portanto, não se pode negar a legalidade do título. A Fifa, entidade máxima do futebol, é bem clara quanto isto.

25) Os anos “zero” são de conquistas, problemas políticos internos e um rebaixamento. Entrada da MSI cria problemas para o grupo de Dualib. Corinthians é rebaixado. Sobe e conquista dois títulos em 2.009. A meta principal e atual é a conquista da Libertadores no ano do Centenário.
 
Além das informações acima, resumidas pelo Giulio e com alguns acréscimos meus, a apresentação do sábado contou também com registros em fotos históricas e vídeos da mais antiga partida do Corinthians e do primeiro clássico contra o Palmeiras. Indescritíveis.

Ademais, dentre as curiosidades apresentadas pelo jornalista, há um fato interessante sobre a fundação de outro time de futebol, o Esporte Clube Bahia. Pouca gente sabe, mas em 1931, entre os fundadores do clube baiano havia um corinthiano e foi por exigência dele que o distintivo do tricolor se fez tão semelhante ao símbolo do Corinthians daquela época, apenas trocando a bandeira de São Paulo pela bandeira da Bahia.

bahia imita

 

Dica do Blog: Quem perdeu a palestra “100 anos em 10 décadas”, não pode deixar de comparecer ao Museu do Futebol, no dia 25 de setembro, para a apresentação de Fiel – O Filme e posterior bate-papo com os roteiristas Marcelo Rubens Paiva e Serginho Groisman. A sessão acontecerá às 18h30, no Auditório Armando Nogueira, e o bate-papo será logo após a exibição.

Corinthianos reunidos após a apresentação

Corinthianos reunidos após a apresentação


22 Comentários so far
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Estava lá e assino em baixo o que a Larrissa escreveu! Sensacional quando, logo no início, o Celso disse que não tinham avisado a ele que era pra comparecer à apresentação com traje de gala e tirou a camisa que cobria seu manto alvinegro!

Comentário por Lekão

Com certeza, Lekão. Houveram várias “tiradas” ótimas também. Abraços alvinegros.

Comentário por Larissa Beppler

Excelente post, fiquei realmente chateado de não ter podido ir. Mas haverão outras oportunidades.

Mas o mais importante é que temos nossa blogueira predileta de volta!!!

Beijos

Comentário por Codename X

Foi excelente, realmente. Então não perca dia 25/09! 🙂

Obrigada pelo carinho. Abraços alvinegros.

Comentário por Larissa Beppler

Que bom! Não tinha a coisa tão em tópicos e completa, da excelente apresentação. Linkei, obviamente, atualizando aquele meu post.

Uma coisa interessante, que não foi dita, mas vi ontem mesmo no livro do Diaféria, é que o Antonio Pereira era amigo do irmão mais velho do Rebolo. E, de fato, ele jogava no 2º quadro, se não me engano desde 1917.

Beijos.

Comentário por Filipe

Enfim, cliquei sem encerrar, o motivo de eu dizer isso é para mostrar que a família Rebolo toda já era Corinthiana desde então…

Comentário por Filipe

Então, tu voltas e nem dá a dica? Oloco, hein! Rsrsrs
Boa sorte, não deveria ter parado.

Comentário por jeff

Puxa gostaria muito de ter colado lá.. mas não deu.. valeu por fazer esse post.. não é como estar presente mas pelo menos já fiquei sabendo de novidades da história do Timão aqui no seu blog..
é nóis que tá, moça bonita e corinthiana
parabéns pelo trampo aqui…

Comentário por Rodrigo Hasimoto

adoro as coisas que a Lari escreve.. parabéns *-*

Comentário por Stephanie

Que saudades!!

Comentário por R.

Cem anos em dez décadas é simplesmente o título mais rídiculo de um post provavelmente em toda a história da Internet. Você já ouviu falar que uma década corresponde a 10 anos, e que 10 X 10 = 100? Pode crer, é verdade. E você é a “Aloísia Mercadante” da blogosfera. Já revogou o irrevogável. Patético.

Comentário por Matheus Antunes

E você é tão patético e tão desinformado sobre as coisas do clube, que não percebeu que o nome do post É o nome da palestra do Celso Unzelte, nome escolhido por ele, professor de Jornalismo da Casper Libero, hein?!

Leia o post e entenderá a razão do nome. E passa Gelol, que passa essa dor de cotovelo aí.

Obs: Nem perca seu tempo escrevendo aqui novamente, comentário de pau mandado chapa branca eu vou bloquear daqui pra frente.

Abraços alvinegros!

Comentário por Larissa Beppler

Poxa vida Larissa… Não perca seu tempo respondendo a essas pessoas…
Estamos todos felizes com a sua volta (espero que “agora pra ficar”)
“Não pára, não pára não pára”
ôôô o Blog voltou… O blog voltou… O blog voltou ô…”
bjs

Larissa: Sabe como é, né? O povo chapa branca tem medo que a internet veicule algumas verdades, se publico, respondo, mas como a maioria é ofensa sem conteúdo, acaba bloqueado mesmo, para manter o nível do blog. Obrigada pelo apoio! Abraços alvinegros.

Comentário por R.

Larissa qual livro mais completo da história do Corinthians vc indicaria para nossa leitura.

Saudações Alvinegras e hoje tem jogo graças a Deus!!!!

VAI CORINTHIANS!!!

Comentário por Toel

Toel, o Almanaque do Timão, escrito pelo Celso Unzelte, é bastante informativo, mas está defasado, pois data de 2000. Até já solicitei uma nova versão hahaha…

Recentemente adquiri o Corinthians – O time da Fiel, de Orlando Duarte e João Bosco Tureta, já até chorei lendo, é excelente, conta bastante do início, das dificuldades, da bela história do Corinthians Paulista. Emocionante mesmo, mas achei alguns errinhos básicos em datas e locais de jogos, placares, enfim… Alguma coisa que a edição deixou passar, mesmo assim vale à pena.

E claro que eu indico o recém-lançado FIEL -100 Anos, do Lalau, que é uma homenagem à torcida corinthiana e que tive a honra de participar com um depoimento. Compre, compre! Hahaha

Obs: Corinthians paixão e glória, do Juca Kfouri é muito bom também. Procure nos arquivos do blog o post leitura alvinegra, uma vez escrevi sobre as obras corinthianas e tudo mais…

Abraços alvinegros.

Comentário por Larissa Beppler

Olá Larissa, tudo bom? Descobri seu blog por acaso, há pouco mais de um mês. Fiquei surpresa e muito contente com o seu retorno. Seus textos são bem escritos, politicamente engajados e deixam claro a sua paixão pelo clube. Precisamos disto. O seu blog já está na minha lista de favoritos. Continue nos brindando com boas informações. Saudações corinthianas! Priscila – Baixada Santista

Comentário por Priscila

Larissa Queixada! Sieg Heil! (dica: procure no Google o que Sieg Heil quer dizer)

Comentário por Matheus Antunes

Hahaha… Quanta estupidez… Enfim, embora não lhe interesse, aí vai uma dica: sou graduada, pós graduada e no quesito línguas, além do espanhol e do inglês, sou neta de alemães (de onde vc imagina que veio o Beppler?) e nascida em Blumenau, de modo que domino a língua desde tenra idade, zu verstehen? O dicionário, neste caso, é desnecessário, mas um curso de boas maneiras não lhe faria mal. Lance mão antes de voltar aqui.

Abraços alvinegros.

Comentário por Larissa Beppler

Ha-há, ei-la de volta!!!! Sabia que não ia durar muito esse afastamento…rsrsrs
Já voltou com a corda toda lá no Paulinho também, né???
Bjo

Comentário por Alviverde/SP

amo o corinthians

Comentário por Joycy Kawanny

Larissa
Foi bom encontrar seu blog. Fiquei mais satisfeito ainda em saber que você gostou do livro que escrevi e dei parceria ao Orlando Duarte para a complementação. Só uma coisinha, datas equivocadas que você teria encontrado é um tanto dificil, não impossivel. Foram 40 anos de pesquisa e os que apareceram hoje como historiadores, foram depois de minhas pesquisas. O clube não tinha nada, absolutamente nada. Só as historinhas do Toninho de Almeida com que trabalhei desde 62. Alguns que depois fizeram livros, pesquisavam e tiravam informações comigo na biblioteca do Corinthians. Tive o cuidado de ler os jornais da época na Gazeta, Data Folha, Biblioteca Mario de Andrade e Jovem Pan. Os dados de jogos também comecei,depois fizeram alguns livros que haviam falhas e deixei de fazer anotações, naqueles tempos em fichas, jogo por jogo ano por ano. Quem primeiro revelou que o Palestra nada tinha a ver com o Corinthians, fui eu, assim como as ajudas que o Corinthians deu para o Palestra, jogar e construir seu campo.
Algumas falhas existem nas formações dos times que meu companheiro obteve. Mas pode confiar que aquilo que escrevi com Orlando, é a realidade, os demais livros são paixões. Nosso livro é hoje tão respeitado- foi o primeiro a ser autorizado pelo clube – vendeu mais de 200 mil- ja está nas principais bibliotecas do Brasil especialmente na Mario de Andrade. A venda aqui nos Estados Unidos, Miami, Orlando e Atlanta, por internet foi das melhores que tive que dar um dia de autografos em Orlando. Pena que não coube os esportes amadores, mas tenho mais um pronto. Gostaria que você me enviasse uma foto sua para meu e-mail para publicar em meu blog.
Joao Bosco Tureta- jtureta@comcast.net e meu blo jb.tureta.zip.net
comentarista da NBA no Space/TNT e jornalista do Brazilian Papper de Miami.
abraços

Comentário por joao bosco tureta

Que o escudo do Bahia se parece muito com o do Corinthians , isso é fato, daí uma votande de uma pessoa se impor perante aos dos outros fundadores, vai uma distância muito grande.

O Bahia foi fundado por um grupo de dissidentes dos times de futebol da Associação Atlética e do Bahiano de Tênis. Acho pouco provável que uma pessoa tenha “exigido” que a sua idéia fosse aceita perante a votande dos outros fundadores. Dá impressão que ninguém discutiu nada e que uma idéia foi posta “goela” abaixo. Acredito que houve uma sugestão e que o grupo discutiu a idéia e em comum acordo aprovaram. Duvido muito que o pintor paulista Rebolo, ao criar o atual escudo do Corinhians tivesse “exigido” que a sua idéia fosse aprovada, e que todos aceitaram “calados”, não acha?

Comentário por Sidney Falcão




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