Corinthians: Preto no Branco


Invasão: causa e consequência
maio 31, 2011, 2:34 am
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Crédito da imagem: Mario Ângelo / Agência Estado

No último domingo, na partida contra o Coritiba, o Corinthians cumpriu suspensão, designada pelo STJD, pelo incidente ocorrido com a torcida do Palmeiras no Brasileirão 2010. Na época, torcedores do rival atiraram objetos em alguns membros da imprensa no Pacaembu. O Corinthians era o mandante e, portanto, responsável pela segurança no estádio. Ambas as equipes tiveram como punição a perda do mando de campo, que o Timão veio a cumprir na segunda rodada desse Brasileiro.

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Ironica e lamentavelmente, no jogo em que o Corinthians cumpria a referida pena, na Fonte Luminosa, houve uma nova infração:  invasão de campo por parte de torcedores corinthianos e revoltados. O incidente acarretaria nova perda de mando ao Timão. Contudo, diz-se que o CPF dos invasores foi registrado no boletim de ocorrência e que, por isso, o clube não será punido novamente. A conferir.

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A razão pela qual se deu a invasão é ainda mais absurda do que o próprio prejuízo que esses torcedores poderiam ter causado ao time: a camisa grená. Ao invadir o campo, eles protestaram contra o novo uniforme do Timão e bradaram aos jogadores que “o Corinthians é preto e branco”, como se jogador pudesse optar por qual camisa entrar em campo. O mais interessante é que ninguém partiu pra cima dos atletas que perderam a Libertadores ou o Paulista, tampouco a diretoria, que cobrou e cobra ingressos a preços extorsivos, foi hostilizada. Ninguém reclamou da camisa bege do centenário, que não era preta e branca, ou jogou um balancete na cara dos dirigentes que trataram de aumentar a dívida do clube em vez de zera-la. Centenário do maior time do país em branco e praticamente nenhum protesto. Mas a camisa grená, ah! a camisa grená…

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A camisa grená é o terceiro uniforme do Corinthians em 2011. Não é o primeiro, que é branco; não é o segundo, que é preto; é o terceiro uniforme, que sempre difere das cores originais dos times. Trata-se de uma tendência mundial em todos os grandes clubes e significa uma receita a mais nos cofres dessas instituições. O próprio Corinthians já teve outros terceiros uniformes – miseravelmente feios, diga-se de passagem – anteriormente.

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Tudo começou na Série B, com o lançamento da camisa roxa, em alusão ao fato do corinthiano ser “roxo” (a.k.a fanático). Particularmente, não gostei da ideia nem da camisa, tampouco havia assimilado, na época, essa moda do terceiro uniforme. O marketing, no entanto, lançou a novidade, vendeu e vendeu muito, e a terceira camisa se consolidou por aqui. E enquanto era somente uma terceira camisa, apesar de não aderir, também não vi maiores problemas. O Corinthians não deixaria  de ser preto e branco por conta de uma camisa, como não deixou de ser ao jogar de bege, no centenário. Os problemas reais só começaram, pelo menos para mim, quando o responsável pelo marketing do clube, Luis Paulo Rosenberg, resolveu “tricolorizar” o Corinthians ao pintar de roxo o muro do Parque São Jorge, o mosqueteiro, o CT, etc.  Nesse caso, sim, uma afronta às tradições do clube.

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Agora, mais uma vez, a polêmica das cores toma conta de parte da torcida corinthiana. Não os problemas do elenco, da comissão técnica, da dívida do clube, do preço do ingresso… Não! O problema é a cor do terceiro uniforme. E a minha opinião sobre o assunto é bem simples e objetiva: não passa de trivialidade. A torcida tem mais com o que se preocupar. Terceiro uniforme está aí pra isso mesmo: ser diferente do segundo e do primeiro. E desde que não resolvam “grenalizar” o Corinthians, a exemplo do erro cometido com o roxo no passado recente, não vejo problema nenhum, muito pelo contrário. Ressalto, inclusive, a evolução na escolha da nova cor, que dessa vez teve uma razão – uma nobre, histórica e bela razão – de ser.

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Foi contra o Torino que o Corinthians fez o seu primeiro amistoso internacional. É histórico, portanto. O Torino, base da seleção italiana na época, fez outro amistoso contra o Corinthians em 1948, somente um ano antes de um dos maiores desastres da história do futebol: o acidente aéreo que vitimou toda a delegação do Toro, ocasiando uma comoção mundial. O Corinthians é preto e branco, sim, mas já vestiu grená, em 1949, em respeito e solidariedade ao clube italiano; uma atitude tão nobre que ainda hoje emociona os que viveram aquele momento. Um exemplo. E o que é melhor: o Timão não deixou de ser alvinegro por isso.

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Ao utilizar a cor grená em 2011, o Corinthians não homenageia somente a história do Torino, mas parte da sua própria história. E talvez a única coisa que manche as tradições do Time do Povo seja justamente a intolerância de parte da torcida, porque isso, sim, é que não cabe na história de um clube popular que, ao contrário dos clubes da elite, foi o primeiro a admitir qualquer cidadão em seu quadro de associados; de um clube que nasceu do povo e para para todos: os gostos, pensamentos e povos. O estatuto de 1913, inclusive, determinava: “não se observa distinção de nacionalidade, religião ou política“. Recuso-me a acreditar que, um século depois, tenhamos involuído.


14 Comentários so far
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Particularmente, acho a motivação para a homenagem pequena. Mas a verdade é que o clube precisa sempre criar algo novo, não só porque é bom pros negócios, mas porque a torcida (a grande maioria, as pessoas comuns) gosta também. Aí ainda tiveram a preocupação de buscar em motivações históricas a inspiração.

Sinceramente, está faltando foco a esses grupos organizados. Motivos realmente justos para se indignarem eles tem, mas não cobram sabe-se lá porque. Aí ficam perdendo tempo com cor de camisa, e o que é mais absurdo dos absurdos ainda: prejudicam o próprio Corinthians!

Como assim? Não eram eles os que nunca abandonariam o clube? Os que defendem o time até o apito final?

Não dá pra entender…

Comentário por Ândi

Concordo e ressalto especialmente os primeiro e segundo parágrafos. Abraços alvinegros.

Comentário por Larissa Beppler

Lara:
-Já parou pra pensar que em nosso distintivo a cor predominante é o vermelho?
Quanto aos invasores, devem ter sido contaminados com a síndrome do IDIO-TITE.

bacio

Comentário por Luiz Carlos

Já, sim. Foi no Memorial, ouvindo essa declamação https://larissabeppler.wordpress.com/2008/02/29/antonio-fagundes-e-o-timao/, que me vi a pensar sobre o distintivo, certa vez. Abraços alvinegros.

Comentário por Larissa Beppler

Triste realidade! concordo em genero, numero e grau!

O mais triste é ver a torcida alienada e na sua grande parte sem o entendimento correto para cobrar a coisa certa no momento certo!

Comentário por Luís Fontes

Né?

Abraços alvinegros.

Comentário por Larissa Beppler

Todo mundo sabe porque são contra qualquer camisa comemorativa do Timão. Esse papo de “tradição”, chega a ser uma ofensa chamando a todos nós de burros.

Cami$a$, blu$ões, boné$s, etc.

Comentário por Thiago Ferreira

Nesse caso específico, não, embora haja precedente para que as pessoas pensem como você. Não reconheci na hora, mas soube depois da identidade dos invasores e os conheço. É caso de “fundamentalismo corinthiano” mesmo. Abraços alvinegros.

Comentário por Larissa Beppler

LAri,
O ultimo paragrafo do seu texto demostra uma certa maturidade como cronista. PArabenss. Estas escrevendo em alto nivel.

Com relacao ao conteudo eu concordo em numero genero e grau. Ninguem viu ninguem entrar em campo com um cartaz FUCK MSI ou contra a venda dos melhores jogadores em 2009. Mas contra camisa ai tem reclamacao que nao acaba nunca. Porque ninguem protestava quando o corinthians nao tinha CT. Porque nego nao protesta contra a falta de qualidade da nossa categoria de base? enfim muita cois apra se preocupar antes da camisa grena.
Mais uma vez, PARABENS. e nao para nao para nao para rs

Comentário por Eric Neumann Foxx

Agradeço a gentileza, mas estou longe de alcançar esse nível, hehe. Abraços alvinegros.

Comentário por Larissa Beppler

Excelente. Concordo em genero, numero e degrau😉

Entre muitas das historias bonitas do Corinthians, essa da homenagem ao Torino merece ser relembrada.

Se jogamos de grena ha’ 60 anos, quando ainda estavamos muito mais proximos de nossa fundacao, por que nao podemos jogar hoje para lembrar aquela historia? Ou os espertos que invadiram o campo conhecem mais de Corinthians que os de 60 anos atras? Acho justo o contrario…

Comentário por Daniel CMS

Não se trata de conhecer a história ou não, Daniel. O caso é claramente relacionado a maneira de pensar/agir de parte da torcida, algo bem próximo ao pensamento dos fundamentalistas islâmicos, por exemplo. É cultural. Abraços alvinegros.

Comentário por Larissa Beppler

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Comentário por psozbcoddn

[…] A foto acima, diz-se, é do portão da casa de Luis Paulo Rosenberg, o homem do marketing no Corinthians. Nenhum jornal confirmou a informação, que já circula no Facebook de alguns corinthianos, ainda. A manifestação em forma de vandalismo seria de parte da torcida por conta do novo terceiro uniforme do Timão, grená, em homenagem ao Torino. Em outra ocasião, torcedores já protestaram contra a nova cor invadindo o campo durante uma partida do Alvinegro no Brasileirão. Saiba mais. […]

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